Bernardo Alegra
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18 Mai 2026 | 03:00

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Bernardo Alegra

Benfica encerra época com vitórias raras mas sofrimento intenso, reflexo de um 'clube-empresa' afastado da massa associativa e títulos


O Benfica terminou a época com uma performance sofrível, sofrida e com muitas horas de sofrimento para os milhões de adeptos do Glorioso.


Não fosse o curioso pormenor de ter acabado a época sem derrotas e seria apenas mais uma, não muito diferente das últimas sete, apenas interrompida pelo efémero fenómeno Rogerball.


Esta é, no entanto, uma época paradigmática do que é hoje o Benfica: em vez de títulos e vitórias, celebram-se aberrações estatísticas como terceiros lugares invictos ou golos de guarda-redes no último minuto de um jogo; em vez de promover o apoio orgânico dos adeptos ao clube, pede-se para gritar em uníssono o nome de um patrocinador; em vez de se vender camisolas com as quinas na manga, vendem-se camisolas a celebrar um golo ao Real Madrid; em vez de reforçar o acesso da Benfica TV a mais adeptos, cria-se uma rádio que nem licença para emitir em FM tem; em vez de se promover a assiduidade ao estádio com vitórias e bom futebol, castiga-se com aumento dos preços para a próxima época.

Podia continuar a dar exemplos, mas acho que já perceberam.

O Benfica de hoje é cada vez mais isto: um clube-empresa sem alma, sempre virado para o euro fácil e de costas para o seu maior ativo: uma gigante e cansada massa associativa.

Um clube liderado por pessoas que não entendem que, comparadas com vitórias e títulos, todas as restantes conquistas são secundárias, quando não marginais.

Infelizmente esta trajetória descendente é uma tendência que se vê ano após ano, no futebol e nas modalidades, em que a incapacidade de gerir o clube com maiores orçamentos só se equipara à inépcia dos seus sócios a escolher os seus líderes.

E o que nos reserva o futuro? Vamos para a segunda divisão da Europa; começamos a época a perder cerca de 80 milhões de euros face à anterior; não sabemos quem será o nosso treinador a arrancar a época daqui a 6 semanas; vamos seguramente continuar a vender os nossos melhores ativos e, consequentemente, piorar a qualidade da equipa.

A cada época que passa consolida-se uma tendência: em vez do Benfica dominador e hegemónico que tínhamos a obrigação de ter construído, temos um Benfica perdedor.

Um Benfica que já ninguém teme

Um Benfica que já ninguém respeita, a começar por muitos dos seus dirigentes e adeptos.

Também por isso esta época é um logro.

Em vez de invencíveis, somos cada vez mais vencíveis.

E assim seremos até decidirmos que já chega.

Hoje e sempre, Viva o Benfica!

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