Nuno Campilho
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04 Nov 2026 | 17:11

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Nuno Campilho

É precisamente depois de um jogo menos inspirado que faz mais sentido manifestar confiança. Quando tudo corre bem, acreditar é fácil


Esta semana não houve 3x4x3, o programa da BTV onde, semanalmente, temos a oportunidade de discutir a atualidade do Benfica e do futebol português. Mas, como a atualidade não suspende a sua atividade por ausência de emissão televisiva, resolvi trazer para estas páginas do Glorioso 1904 aquilo que, em boa medida, poderia ter dito.


A minha moção de confiança vai para o Benfica, tendo em vista o encontro frente ao Lech Poznań, a contar para a Liga Europa.


É precisamente depois de um jogo menos inspirado que faz mais sentido manifestar confiança. Quando tudo corre bem, acreditar é fácil. O verdadeiro teste à consistência de uma equipa surge quando a qualidade de jogo diminui, a inspiração desaparece e, ainda assim, é necessário encontrar soluções para vencer.

A moção de censura vai, sem grande necessidade de reflexão, para Frederico Varandas.

Confesso que continuo fascinado com a capacidade de alguns dirigentes para transformarem decisões contraditórias em manifestações sucessivas de extraordinária competência. É uma espécie de gestão por iluminação divina, em que cada decisão é apresentada como genial até ao momento em que a decisão seguinte demonstra que a anterior afinal não fazia grande sentido.

Em maio, o Sporting decidiu renovar o contrato com o Rui Borges até 2028, numa demonstração pública de confiança, estabilidade e planeamento. Seis meses depois, o mesmo treinador deixou de servir o projeto.

Entretanto, o plantel sofreu alterações profundas, com a saída de jogadores importantes e a entrada de reforços cuja qualidade e adequação ao modelo competitivo suscitam, no mínimo, dúvidas legítimas.

Ou seja, a estrutura dirigente modifica substancialmente as condições de trabalho do treinador, renova-lhe o contrato e, pouco depois, conclui que o problema está precisamente no treinador.

Nas empresas, quando um administrador altera profundamente a equipa de um diretor, lhe redefine os recursos disponíveis, lhe renova a confiança e, seis meses depois, o responsabiliza pelos resultados insatisfatórios, normalmente coloca-se uma questão: quem avaliou mal quem?

No Sporting, aparentemente, a pergunta não se coloca. Porque o planeamento é sempre excelente. Mesmo quando precisa de ser substituído por outro planeamento, igualmente excelente, que contradiz integralmente o anterior.

Talvez estejamos perante uma nova escola de gestão: a do planeamento retroativo, em que as decisões só passam a fazer sentido depois de terem deixado de fazer sentido.

E, naturalmente, o responsável máximo por todas estas decisões continua a ser o mesmo. O que demonstra uma estabilidade admirável. Pelo menos na distribuição das responsabilidades.

A crise do Sporting é, em larga medida, uma consequência do que acabei de referir. 

Os clubes de futebol, tal como as organizações empresariais, precisam de coerência estratégica. Precisam de saber onde querem chegar, quais os recursos necessários e que modelo de funcionamento pretendem implementar. Sobretudo, precisam de assegurar que as decisões de curto prazo não comprometem sistematicamente os objetivos de médio e longo prazo.

Uma das maiores fragilidades da gestão desportiva é a facilidade com que se responsabiliza o treinador por decisões que, em muitos casos, foram tomadas muito acima dele.

O problema do Sporting parece-me, por isso, menos uma questão de treinador e mais uma questão de coerência na liderança. Frederico Varandas habituou-se a cultivar uma imagem de superioridade na gestão, frequentemente acompanhada de considerações pouco abonatórias sobre a competência alheia. Ora, quem se apresenta como referência de planeamento tem uma obrigação acrescida de explicar os seus próprios erros.

Porque, convenhamos, é fácil ser um extraordinário gestor quando todos os sucessos são nossos e todos os insucessos pertencem aos outros.

A minha nota artística vai para o novo emblema do Sport Lisboa e Benfica, apresentado na última Assembleia Geral.

Pode parecer uma questão menor para quem olha para os símbolos apenas como elementos gráficos, sujeitos às tendências do design e às necessidades comerciais das organizações. Mas um emblema não é um simples logótipo. É a representação visual de uma identidade, de uma história e de uma comunidade que atravessa gerações.

A alteração agora apresentada corresponde a uma reivindicação antiga de muitos sócios e adeptos, que pretendiam ver respeitada a descrição estatutária do símbolo do clube.

Entre os ajustamentos, destaca-se o regresso das garras da águia à faixa onde se encontra inscrita a divisa E Pluribus Unum, em vez de assentarem na roda da bicicleta. Foram igualmente corrigidos elementos cromáticos, designadamente na própria roda, recuperando uma representação mais próxima da tradição histórica do Benfica.

A pergunta ao poder desta semana é simples: alguém sabe onde anda Pedro Proença?

Não me refiro, naturalmente, à sua localização física. Imagino que continue a desempenhar as funções para as quais foi eleito. Refiro-me à sua presença institucional perante um conjunto de questões que têm vindo a colocar em causa a credibilidade da arbitragem portuguesa.

As alegações de pressões relacionadas com nomeações de árbitros continuam a exigir esclarecimentos públicos, rigorosos e inequívocos. O chamado caso Luciano Gonçalves permanece envolvido em controvérsia e, entretanto, até o FC Porto veio reclamar a suspensão do presidente do Conselho de Arbitragem.

É preciso ter lata!

O FC Porto, que tantas vezes se apresenta como vítima de uma alegada conspiração do futebol português, surge agora como protagonista de uma exigência de afastamento de um responsável da arbitragem. O mesmo clube cujos dirigentes não se cansam de denunciar ameaças à credibilidade das competições quando as decisões não correspondem às suas expectativas. É extraordinária a elasticidade com que determinados discursos sobre independência, transparência e credibilidade se adaptam às conveniências de cada momento.

E o que faz Pedro Proença? Uma instituição não protege a credibilidade das suas competições através do silêncio. Protege-a esclarecendo, investigando quando necessário, prestando contas e demonstrando que os mecanismos de supervisão funcionam, independentemente dos protagonistas envolvidos.

Por isso, senhor presidente da FPF, fica a pergunta: não estará na altura de aparecer, esclarecer e exercer a liderança institucional que o cargo exige?

Ou também aqui estamos perante um processo que, de tão cuidadosamente planeado, ainda não encontrou o momento certo para começar?

A minha declaração de voto vai para Marco Silva.

E vai, curiosamente, por aquilo que disse depois de uma vitória pouco convincente frente ao Alverca.

O Benfica ganhou, mas não jogou bem. Teve dificuldades na circulação, mostrou pouca criatividade, revelou alguma precipitação nas decisões e demorou a encontrar soluções para desmontar uma organização defensiva que lhe retirava espaços interiores.

Marco Silva não procurou esconder nada disso. Não se refugiou no resultado, não transformou uma exibição desinspirada numa demonstração de superioridade e não procurou atribuir ao adversário a responsabilidade pelas insuficiências da sua equipa.

Reconheceu o que correu mal, explicou as dificuldades e identificou as soluções que procurou introduzir.

É precisamente esta lucidez que distingue um treinador que se limita a gerir resultados de outro que procura desenvolver um processo.

A entrada de Echeverri ao intervalo foi, a meu ver, particularmente feliz. E permitam-me a imodéstia de reconhecer que era precisamente a alteração que o jogo estava a pedir.

O Benfica precisava de alguém que agitasse o espaço entre linhas, que recebesse de costas para a baliza adversária, tivesse capacidade para rodar em espaços curtos e introduzisse uma dimensão mais interior e imprevisível na construção ofensiva.

O jogo estava demasiado exterior, demasiado previsível e excessivamente dependente de iniciativas individuais nos corredores. Faltava um jogador capaz de ligar setores, atrair adversários e criar desequilíbrios através de movimentos interiores.

Marco Silva fala bem e treina ainda melhor, mas a sofisticação do discurso não é necessariamente proporcional à qualidade da análise (vide a conferência de imprensa do treinador do Alverca).

Às vezes, um jogo de futebol continua a ser apenas um jogo de futebol. Com onze jogadores de cada lado, uma bola, duas balizas e uma equipa que procura marcar mais golos do que a outra.

E, por muito que se fale de geometria, volume, coberturas e fidelização, o essencial continua a ser perceber porque se ganhou, porque se perdeu e o que poderia ter sido feito de forma diferente.


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Nuno Campilho
Bernardo Alegra

04 Nov 2026 | 08:13

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Preparados para sofrer?

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Nuno Campilho
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04 Nov 2026 | 17:11

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Bernardo Alegra
Bernardo Alegra

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04 Nov 2026 | 08:13

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