Rui Milagre Amaro
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04 Mai 2025 | 19:03

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Rui Milagre Amaro

Perante a tensão crescente naqueles minutos, a reação da Polícia - parte dos "todos os agentes" de que se deseja união? - não se fez esperar


O lema para a presente temporada do futebol profissional em Portugal é "o futebol que nos une". De acordo com uma pesquisa rápida, no website da Liga é possível verificar que o lema foi escolhido em alusão a parte dos "cinco pilares estratégicos traçados pela Liga Portugal para o quadriénio 2023-27. São eles a ‘União de todos os agentes’, o ‘Futebol com Responsabilidade Social’, o ‘Compromisso com o Adepto’, a ‘Elevação do Produto’ e a ‘Credibilização pelo Profissionalismo’."


Um conjunto de chavões e banalidades que tem uma aplicabilidade prática rudimentar ou inexistente.


O episódio que presenciei ontem na porta de entrada 5 do Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril demonstra como esse lema se esvazia por completo na prática e é só mais um exemplo testemunhado in loco de que um conjunto de palavras plasmadas em texto não passam de uma manifestação de intenções sem aparente capacidade executiva.

No epílogo da temporada e a meio do quadriénio dos tais cinco pilares supramencionados, ontem houve muitos sócios do Sport Lisboa e Benfica, com bilhete válido para entrada no estádio do Estoril Praia que perderam pelo menos a primeira meia hora de jogo porque apesar de se apresentarem com antecedência no local indicado nos bilhetes adquiridos, a capacidade de revista e admissão no recinto pelas forças de segurança era claramente subdimensionada.

A situação agravou-se quando em face do surgimento súbito de um grupo de pessoas que tentou avançar perante quem já estava há largos minutos a aguardar a entrada, o aparatoso corpo policial presente ignorou ostensivamente este comportamento até a compressão gerada pela mole humana ali presente se tornar insustentável e perigosa. Contavam-se, certamente, várias centenas de adeptos, que vendo o tempo a correr e a fila parada se amontoaram perante a porta.

A reação da polícia não poderia ter sido mais dissonante perante a realidade presenciada: os agentes presentes exigiram o recuo imediato das pessoas - em modos francamente desapropriados e carentes de respeito pelo Adepto, o tal com quem a Liga diz ter assumido um qualquer compromisso... - como se fosse exequível várias centenas de pessoas recuarem magicamente num espaço exíguo perante a pressão exercida por quem se encontrava atrás.

Perante a tensão crescente naqueles minutos, a reação da Polícia - parte dos "todos os agentes" de que se deseja união? - não se fez esperar. Despejou quantidades generosas de, aparentemente, gás pimenta que deixou em dificuldades alguns adeptos, nomeadamente os que estavam a aguardar entrada já com um quarto de hora de bola a rolar, pacientemente e há quase uma hora naquela interminável fila.

No fim, todos acabaram por entrar - tarde, desorganizados, e sem qualquer respeito pela ordem de chegada. Foi mais uma prova da reiterada incapacidade das forças de segurança para gerir situações em contexto desportivo: forte com os fracos, fraca com os fortes, de gatilho fácil, arrogante, desrespeitosa e fiel ao lema não escrito de disparar primeiro e perguntar depois.

Depois de tão requintada "elevação do produto", o que nos espera, sobretudo, nas próximas semanas em que as emoções prometem transbordar perante a luta pelo título de campeão nacional?

Resta desejar boa sorte a quem quer que esteja a tentar vender este "produto" centralizado.


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