Bernardo Alegra
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21 Ago 2026 | 09:34

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Bernardo Alegra

Benfica começa a dar sinais positivos nesta nova época, com a competência, a paciência na gestão do mercado e o regresso de alguma alegria à Luz


Num dos meus últimos artigos escrevi aqui (https://glorioso1904.pt/opiniao-detalhe/a-falta-de-entusiasmo-que-entusiasma) que a adversidade que se previa (menos receitas, três eliminatórias demasiado cedo numa competição menor, saída de Mourinho) podia ser o melhor aliado do Benfica na época 2026/7.


Mais do que os resultados positivos, que a experiência me ensinou a relativizar em fase tão precoce da época, equipa, treinador e até estrutura, vão dando sinais de que da adversidade pode resultar uma época com resultados diferentes das últimas três.


E que sinais são esses? Destaco três:

1. O primado da competência e mérito acima de qualquer outra variável (como Mourinho admitiu existir no último ano). Marco Silva já mostrou que, acima de tudo, quer jogadores envolvidos, focados e dedicados a jogar no onze e a entrar do banco. Os que não mostrarem a atitude certa, em jogo ou treino, vão ter vida difícil independentemente do investimento feito pelo clube, salário, ou estatuto no grupo. A verdade é que o atual onze não reúne os mais talentosos do grupo. Mas quem quiser jogar terá de demonstrar, nas oportunidades que tiver, pelo menos o mesmo compromisso. E esta época dará muitas oportunidades a quem estiver disposto a aproveitá-las;

2. A paciência controlada. A acreditar nas notícias que dão como certa a chegada de João Palhinha (um jogador que aprecio e dará muito, desportivamente, ao clube), o Benfica geriu com paciência e competência alguns dossiers complicados que teve no início desta época: treinador e reforços chave. A estes eventualmente se pode juntar Circati, se provar ser o reforço que o Benfica precisa para a posição. Este aparente sucesso contrasta com os vários falhanços dos últimos anos, em que o jogo de paciência resultou, quase sempre, em nada;

3. A alegria contida. Salvo conhecidas exceções, sobretudo em jogos da Champions, nos últimos anos ir ao Estádio da Luz tem sido uma experiência que mistura frustração com desilusão e algum conformismo. Hoje respira-se um ar diferente: alegria. Contida, é verdade, vergada pelas muitas desilusões dos últimos anos. Mas está lá. É uma diferença pequena, quase impercetível, mas real. Pode ser apenas uma pequena elevação no horizonte. Mas, com a ajuda da equipa, pode transformar-se progressivamente numa vaga vermelha, gigante e intransponível, capaz de empurrar o Glorioso rumo à vitória.

Ainda é pouco, eu sei. Mesmo sabendo que o mercado ainda não fechou e que a maior parte dos problemas estruturais existe e não serão resolvidos nem agora, nem com estas pessoas, num clube com a dimensão do Benfica às vezes é o que basta para ganhar títulos.

Daqui a nove meses saberemos se eu tinha razão.

Viva o Benfica!

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Bernardo Alegra
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