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30 Nov 2022 | 09:10
No futebol, tal como na vida, temos de ser honestos. Ganhar com um lance irregular é tão grave como tomar substâncias dopantes para aumentar o desempenho.
Dia 27.07.2010, Alemanha x Inglaterra, oitavos-de-finais do Campeonato do Mundo na África do Sul, com o resultado em 2-1 para os germânicos, Lampard chuta forte, a bola vai à barra, passa a linha de golo, o GR Neuer muito rápido agarra a bola e lança um colega. O jogo continuou.
Nem o árbitro uruguaio Larrionda, nem o seu assistente viram que a bola entrou claramente na baliza.
No final do jogo, nos dias seguintes, a Federação inglesa, o selecionador e jogadores ingleses, a imprensa inglesa e internacional, fizeram um coro bem audível no mundo inteiro, a reivindicar a tecnologia da linha de golo que, pela primeira vez de forma oficial, viria a ser usada dois anos depois no Mundial de Clubes no Japão.
Questionado a comentar o lance, Manuel Neuer disse “…percebi logo que a bola passou a linha, mas eu fui tão rápido que penso ter enganado o árbitro…”.
O GR Neuer teve consciência do lance e foi cúmplice do erro do árbitro.
Qualquer que seja o padrão moral aplicado, o que fez o Neuer foi imoral.
Todavia, estando a falar de futebol fica-se sempre com a sensação de que a única regra ética dominante é: ganhar a qualquer custo!
Todos nos lembramos da “mão de deus” de Maradona contra Inglaterra ou do “golo” do Petit na Luz em que Vítor Baia sacudiu a bola depois da linha.
Em todos estes lances, as repetições não deixam dúvidas.
Porque nenhum destes jogadores ajudou o árbitro? Porque nenhum dos intervenientes confessou a verdade?!
No futebol, tal como na vida, temos de ser honestos.
Ganhar com um lance irregular é tão grave como tomar substâncias dopantes para aumentar o desempenho.
Actualmente com o VAR e a tecnologia da linha de golo, temos meios capazes de corrigir os erros dos árbitros e de detetar irregularidades que o olho humano não viu.
Temos mais meios para favorecer a verdade desportiva, mas não elimina muita batota intencional diante de milhões de olhos que assistem nos estádios ou nas televisões.
Os jogadores, os treinadores e os árbitros têm uma enorme responsabilidade pública, e como tal, têm obrigação de serem uma referência ética para todos os adeptos, sobretudo, os mais jovens.
Os jogadores não podem ser conhecidos por terem habilidade para a batota.
Os treinadores, os principais pedagogos do futebol, não devem pactuar com a falta de fair play dos seus jogadores.
E os árbitros, a autoridade máxima do jogo, devem ser o principal garante da verdade desportiva nos jogos e da integridade das competições.
Definitivamente, passaram a ser intoleráveis os erros dos VARs quando os meios tecnológicos e as evidências visuais permitam o justo julgamento das jogadas mais controversas.
E os adeptos? Por que não se importam que o seu clube ganhe com um golo irregular e protestam quando o beneficiado da irregularidade é o adversário e/ou rival?
Quem quer continuar a pagar para assistir a um jogo com falcatruas ou falhas inaceitáveis?
Quem sente prazer e tem mérito de ganhar com batota? Apenas os batoteiros!
Mas até todos os que fazem batota ou dela beneficiam, negam hipocritamente essa prática ou proveito.
Como sabemos a hipocrisia é o tributo que o vício paga à virtude.
A realidade prova que hoje estamos muito melhores e que efetivamente foram feitos grandes progressos, quer pela introdução de meios tecnológicos que ajudam a diminuir a margem do erro, quer pelo escrúpulo, discernimento e honestidade da esmagadora maioria dos intervenientes no jogo. Mas, todos temos de fazer um pouco mais para eliminar vitórias conseguidas com batota.
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