Quando falta o quase
Equipa encarnada domina, cria, mas falha nos detalhes decisivos. Entre eficácia ofensiva e equilíbrio tático, por pouco voltou a custar pontos
17 Jan 2024 | 08:47
Claro que também poderia englobar este artigo numa ode à boçalidade, tal têm sido os disparates a que temos assistido nestes mais recentes e últimos tempos
Claro que também poderia englobar este artigo numa ode à boçalidade, tal têm sido os disparates a que temos assistido nestes mais recentes e últimos tempos.
No entanto, achei curioso que, Erasmo, que escreveu este ensaio em 1509, nos apresente toda a mesquinharia e tacanhez desse animalzinho, tão pequeno e de tão pouca duração, que vulgarmente se chama homem. O homem, para aquilo que aqui nos interessa, é o homem futebolístico, mais concretamente, clubístico, e apanágio dos adeptos listados, sejam eles verdes, ou azuis.
Vejam lá se isto não encaixa: uma inversão de valores, onde a razão, o bom-senso e a seriedade são fustigados, enquanto a loucura é louvada, como atributo e característica do que é ou se apresenta de modo estúpido (tolice, parvoíce, estupidez...).
Como se não bastasse a irracionalidade do comunicado que o Sporting decidiu emitir, a propósito do alegado aliciamento de jogadores do Rio Ave, para perderem com o Benfica, temos que o grande caso desta primeira-volta do campeonato, que ora terminou, é um primeiro cartão amarelo mostrado a um jogador do Rio Ave (mera coincidência), no encontro que opôs esse clube, ao Benfica, no passado domingo. Para além de que, quem ouvisse os comentários de alguns destes boçais, nessa noite, chegaríamos à conclusão que o Rio Ave havia goleado o Benfica e dominado o jogo na sua totalidade.
Ora bem, então o Sporting vem identificar como atentado à verdade desportiva o envolvimento do Benfica num alegado aliciamento de jogadores, quando é o próprio Ministério Público que, por duas vezes, repito, por duas vezes, refutou, ele próprio (relembro que se trata de quem acusa), qualquer responsabilidade, direta ou indireta, do clube nessa matéria. Bem sei que é vulgar o que vou dizer, no entanto, por ser tão bem aplicável, só posso concluir que o Sporting perdeu uma belíssima oportunidade para estar calado, pois passou pelo mesmo no processo Cashball (com um funcionário do Sporting diretamente envolvido, o que não é ora o caso) e devia ter vergonha de levantar quaisquer suspeições quando, à conta de perdões de dívida, francamente desproporcionados e anti concorrenciais, conseguiu garantir liquidez para comprar, por exemplo, dois jogadores que têm feito a diferença no plantel (Gyokeres e Hjulmand) e cuja utilização, essa sim (e resultante da aquisição dos seus passes, por via da benesse em análise), atenta contra a verdade desportiva.
Em relação ao jogo com o Rio Ave (sem deixar de fazer uma orgulhosa referência à vitória, frente ao Braga, num magnífico jogo de futebol, a contar para a Taça de Portugal), eu não alinho pelo diapasão do treinador dos forasteiros, preferindo, ao contrário dele, elogiar o comportamento dos respetivos jogadores, com hábil capacidade para ter posse durante um largo período de tempo e, adicionalmente, ter conseguido apontar um golo e estando próximo de apontar outros, numa justa alusão à qualidade do futebol apresentado e à forma como os vila-condenses conseguiram suster a fase de construção do Benfica e ferir o seu setor defensivo, através de transições ofensivas muito bem feitas. Até pareço que me chamo Luís Freire... só que não! Este senhor preferiu apontar todas as atenções para o árbitro e ao invés de reconhecer o magnifico trabalho protagonizado pelos seus jogadores, optou por alegar erros de arbitragem, como estando na origem do resultado final. Problema dele...
O que eu vi foi um Benfica cansado – sobretudo ao nível do meio-campo – com dificuldade em engrenar e atingir a rotação e intensidade à qual já estamos habituados (e os jogadores também, basta atentar na época passada). Não por acaso, o começo de ambas as partes foi o mais penoso. Mas depois de engrenar...
Agora, a expulsão do jogador do Rio Ave teve influência? Pois claro que sim! Assim como a entrada do Florentino, que veio dar mais consistência ao meio-campo, permitir recuperar a bola o mais à frente possível e contribuir para que a equipa contrária nunca mais tenha passado do seu meio-campo, com o menor perigo. Jogar contra 10 facilitou estas movimentações e o avolumar do resultado? Certo... mas que culpa tem o Benfica que o Santos tenha sido imprudente? Ou os imprudentes são só o Bah e o Musa... ou, até, o Di Maria (vide o jogo frente ao Braga)?
O senhor Freire não me pareceu nada irritado (muito antes pelo contrário, estava conformado), quando o Eustáquio, no jogo em Vila do Conde, podia ter sido expulso duas vezes (é uma metáfora) e apenas viu um cartão amarelo. Mas, pronto, sempre a aprender e com o futebol também. Um cartão amarelo, repito, um, virou caso para um seriado qualquer da Fox Crime, até porque a memória é curta e já todos se terão esquecido que os pitons das botas do Paulinho são magnéticos e movem linhas de fora-de-jogo e que ainda há peitos, que mais parecem asas, à venda em qualquer mercearia da cidade do Porto e arredores.
E como de loucura já todos devemos estar fartos, vamos lá focar-nos nos próximos e exigentes desafios... Boavista (que foi o clube que nos impôs a única derrota no campeonato, até ao momento – e que assim continue –), a iniciar a 2ª volta da Primeira Liga, o Estoril na Final Four da Taça da Liga, regresso à Liga na Amadora, e depois vem fevereiro (a seu tempo lá chegaremos) com a continuidade do campeonato, os quartos-de-final da Taça de Portugal e o início da aventura na Liga Europa... ufa!!
Por isso, sejam racionais, pés bem assentes na terra e foco. Aos loucos, como sempre me disseram os meus pais, dá-se-lhes o caminho todo (desde que não se atravessem no nosso caminho rumo a Leiria, ao Marquês, ao Jamor e a Dublin).
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