Pedro Jerónimo
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14 Mar 2026 | 22:52

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Pedro Jerónimo

Numa deslocação sempre complicada, turma encarnada fez de tudo para continuar a sonhar com possibilidade de conquistar campeonato nacional


Deslocação a Arouca, para a vigésima sexta jornada do campeonato nacional.


Resta ao Benfica manter a sede de vitória e que a mesma se mantenha em todos os jogos, só assim será possível manter o sonho vivo, para a reconquista do título.


Um Benfica que vinha de um jogo menos conseguido frente ao Porto, muito culpa do que José Mourinho retratou na conferência de imprensa: existe uma enorme dependência em Aursnes e a ser claro que não existe substituto à altura. O norueguês era novamente baixa e apenas deve regressar em meados de Abril, dada a lesão muscular. Barreiro, Dedic e Sudakov também tocados, eram dúvidas sobre como se poderiam apresentar, relativamente à sua situação física. Enzo e Otamendi também baixas confirmadas por lesão.

Era um Benfica que, entre regressos e novas lesões, estava em fase de nova transição e com Mourinho a tentar perceber que jogadores encaixam no modelo que pretende para o futuro.

Anunciado o onze e eram várias as alterações, entre as forçadas e as por opção.

Quarteto defensivo com Tomás e António Silva, Dahl à esquerda e o dinamarquês Bah a voltar ao lado direito. No meio campo, zona central, Rios e Barreiro faziam dupla, com Schelderup e Lukebakio nos corredores e Rafa no apoio a Pavlidis. Algumas alterações, sim era um facto, mas sem ser uma revolução.

Alguns jogadores que claramente têm de mostrar mais, os casos de Rafa e Rios. O internacional português, desde o regresso, ainda não convenceu e o colombiano tarda em justificar os mais de 20 milhões dados pelo seu passe.

Pavlidis também com necessidade de voltar aos golos, mas o avançado grego é, quiçá, o homem que mais trabalha neste Benfica.

Jogo com muitos focos de interesse e alguma expetativa para perceber o comportamento e dinâmica da equipa, com algumas alterações realizadas.

Início da partida e logo da pior forma, aos 4 minutos, grande penalidade contra o Benfica, a castigar um alegado braço na bola e o Arouca a aproveitar e adiantar-se cedo no marcador, com a grande penalidade marcada aos 7 minutos de jogo, depois de 3 minutos do lance em análise.

Aos 9 minutos Rios tem o primeiro remate para os encarnados, depois de uma boa deixa de Barreiro, mas o médio atira por cima. Benfica com dificuldades em pegar no jogo.

17 minutos e Schelderup começa a aparecer na partida pelo flanco esquerdo e a tentar servir Pavlidis, mas a bola não chegava, pois os defesas antecipavam-se ao grego.

23 minutos e livre perigoso para os encarnados, mesmo encostado à linha da grande área, a castigar falta sobre Rafa. Na sequência da marcação, Lukebakio atira contra a barreira.

As águias cometiam muitos erros à entrada da sua área defensiva, na saída da bola e na contenção ofensiva do Arouca. Claramente faltava o preenchimento de espaços, de forma inteligente.

Benfica vivia dos seus dois extremos, só conseguia criar algum lance, por essa via. A zona central estava, completamente, oca, sem ideias.

32 minutos e grande oportunidade para os encarnados, na sequência de um canto se Lukebakio, surge Bah completamente sozinho ao segundo poste, nem precisou de saltar, mas perante tal facilitismo, atirou ao lado.

Arouca começava a defender, de forma intensiva, na sua área e a recorrer às faltas para parar os alas das águias, que estavam em bom plano.

Mas os visitados pareciam como que confinados à sua área, eis que aos 38 minutos, sem qualquer obstáculo para fazer uma transição tranquila, valeu a falta de acerto do avançado arouquense, que atirou de cabeça ao lado (bem perto) da baliza de Trubin. Meio campo muito permissivo, o do Benfica. Não existe leitura e capacidade posicional, especialmente na altura de defender. Jogadores inteligentes são raros e o comandante, nesse aspeto, do meio campo deste Benfica, é Aursnes e, quando não joga, é bem notória a sua ausência.

Rafa era um jogador a menos neste onze. De forma notória, o avançado português teima em não atingir a melhor forma, ou até adaptar-se a esta dinâmica de jogo e a sua insistência no onze inicial, está a criar a perda, acentuada, de lances ofensivos, por falta de critério e até de forma displicente.

Não havia tempo para mais nos primeiros 45 minutos e chegava o intervalo. Em resumo, as águias criaram o suficiente para justificar o empate, mas não mais que isso, pois apesar do maior caudal ofensivo, é um Benfica que cria pouquíssimas oportunidades de golo e, quando as cria, não tem capacidade de finalização. Mourinho terá de repensar Rafa na equipa e pensar em optar por uma dupla Pavlidis e Ivanovic, pois a ausência de finalização é preocupante e Rafa não é jogador que contribua para essa melhoria, tão pouco para a criação das oportunidades.

Reinício da partida e sem alterações de parte a parte e o jogo recomeça como o primeiro tempo, com a diferença é que, desta vez, o Arouca não marcou, num lance bem construído e desenvolvido pelo lado direito, a bola é enviada para a zona dos 11 metros e valeu o desvio de Tomás Araújo a desviar a bola para canto. Foi por centímetros que o marcador não se alterou novamente.

Mas o Benfica responde logo de seguida, com Lukebakio na direita, em jogada individual, tira vários jogadores da frente e remata cruzado para uma excelente defesa do guardião arouquense. Na sequência do canto, chegava o empate, com Schelderup a colocar direitinho na cabeça de Rios, sem grande dificuldade, atira para o fundo das redes. Benfica já merecia o empate e agora ganhava ímpeto emocional para chegar à vitória.

O jogo passava, exclusivamente, por Schelderup e Lukebakio, estavam endiabrados e, sempre que pegavam no esférico, era sinal de perigo, só falhava o último passe.

Sucediam-se lances de perigo na baliza dos homens da casa: minuto 54 Schelderup passa tudo e todos mas falha na assistência; minuto 57, Rafa coloca a bola em Pavlidis descaído para a direita, mas o grego atira forte por cima; minuto 58, Schelderup em jogada individual, já dentro da área, remata rasteiro e cruzado, a rasar o poste direito. Era um Benfica que estava completamente por cima no jogo e, sem margem de dúvida, justificava a vantagem no marcador.

O Arouca começava a utilizar as quebras de jogo, de forma a baixar o ritmo da partida e a "queda fácil " era muita da estratégia utilizada.

Entre os 69 e os 72 minutos, o Arouca conseguia aproximar-se, por 3 vezes, da baliza de Trubin e com relativo perigo. Era notório o cansaço de alguns elementos, especialmente Barreiro, longe do seu melhor fisicamente, assim como Bah, Lukebakio baixava bastante de ritmo, dado que ainda está a adquirir ritmo e a dupla Rafa e Pavlidis em quebra notória.

Minuto 74 e 4 substituições nos encarnados, numa assentada. Entravam Ivanovic, Dedic, Sudakov e Prestianni, saindo António Silva, Bah, Lukebakio e Rafa. Quase todas as alterações eram de posição por posição, à exceção de António Silva, já tocado, o que presumia que Rios descia para a posição de central. Ivanovic a fazer dupla com Pavlidis agora, a aumentar a presença na área e depois o natural refrescar das alas.

O Benfica começava a jogar mais com o coração, do que com a cabeça e isto levava ao aumento de erros na altura do passe e na construção dos lances. Praticamente as águias deixaram de criar chances de perigo desde o minuto 70 e iam decorridos 82. Era sim o Arouca a criar duas oportunidades de perigo nesta fase, valendo o desacerto na finalização.

Ainda a quinta substituição para o Benfica, saindo um desgastado Schelderup e entrando Anísio, passando Ivanovic para a ala esquerda.

Era um Benfica em desespero e um Arouca a fechar com todos atrás da linha da bola. O Benfica acaba com 3 pontas de lança em campo, com uma miscelânea posicional que pouco tinha para dar certo, tal era o desalinhamento. Aliás, era notória a ausência de capacidade de ligação de jogo, dada a falta de jogadores no corredor central.

Mas o futebol tanto tira, como dá emoções. 96 minutos, ninguém já acreditava e o guarda-redes do Arouca bate mal a bola, Barreiro recupera ainda no meio campo ofensivo, serve Prestianni na esquerda, que trabalha muito bem e vê Ivanovic ao segundo poste. Sai o cruzamento e, de primeira, remata cruzado, bate no poste mais distante e entra. Um grande golo a premiar uma equipa que não baixou os braços e que não quer deixar fugir o sonho.

Pelo que fez na segunda parte, é uma vitória meritória e, alcançada desta forma, pode galvanizar o grupo para esta reta final.

Ainda tempo para dupla expulsão, de Dedic e Trezza, por quezílias em campo.

Melhor em campo, Schelderup, novamente o norueguês, mas Lukebakio também esteve muito bem no corredor oposto. Prestianni e Ivanovic entraram muito bem e deram aquele ímpeto final. Ivanovic, em particular, a mostrar que merece mais oportunidades e, na minha opinião, deve formar dupla com Pavlidis, em detrimento de Rafa.

Continuar a senda, não desistir e esperar deslizes na frente.

Carrega!!

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Pedro Jerónimo
Pedro Jerónimo

14 Mar 2026 | 22:52

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O coração encarnado ditou a vitória!

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Pedro Jerónimo
Pedro Jerónimo

O coração encarnado ditou a vitória!

Numa deslocação sempre complicada, turma encarnada fez de tudo para continuar a sonhar com possibilidade de conquistar campeonato nacional

14 Mar 2026 | 22:52

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Nuno Campilho
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