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Benfica continua a depender de vendas e receitas futuras para sobreviver, revelando um modelo frágil e cada vez menos sustentável
Agora que passou aquele breve entusiasmo pós-derby, voltemos às coisas sérias.
O Sport Lisboa e Benfica vive há anos de um equilíbrio frágil: quando precisa de dinheiro, vende. Quando vende bem, respira. Quando não vende, aperta. O que pareceu estratégia é hoje dependência.
Um modelo que depende de vender jogadores todos os anos para fechar contas não é um modelo. É uma necessidade permanente. Enquanto os resultados desportivos iam aparecendo, um fogacho se olharmos para os últimos 30 anos, essa fragilidade ficava disfarçada. Mas deixaram de aparecer com a mesma consistência: uma Liga nos últimos seis anos, nenhuma Taça de Portugal.
Ou seja, o próprio sistema deixou de produzir aquilo que o sustentava. A partir daí, tudo fica mais exposto.
Se um clube precisa de vender todos os anos, de ir à Liga dos Campeões com regularidade e de antecipar receitas para cumprir compromissos atuais, então não está a gerir. Está a equilibrar-se. E equilibrar-se não é sustentável. Basta uma variável falhar, uma época sem Champions, uma venda que não acontece, para a pressão aumentar imediatamente.
É assim que os ciclos se deterioram. Primeiro vende-se porque faz sentido. Depois vende-se porque é preciso. E, por fim, vende-se porque não há alternativa. Nesse momento, o clube deixa de decidir, passa a reagir, e um clube que reage não constrói, limita-se a sobreviver.
O mais inquietante é que isto não é um desvio, é uma trajetória. Ao longo dos últimos anos, o padrão repetiu-se: necessidade de gerar liquidez, recurso constante a vendas, ausência de uma verdadeira redução estrutural da dependência.
Nada disto desaparece por acaso. Pode ser adiado, pode ser disfarçado, mas, mais cedo ou mais tarde, vem sempre ao de cima.
Gerir não é fechar um ano, é deixar de depender do próximo para fechar este. Hoje, o Benfica depende, e enquanto depender, tudo o resto, ideias e sobretudo vitórias, será sempre secundário.
Um modelo que não se sustenta acaba por cair. A única dúvida é quando.
P.S. O Benfica District é o projeto errado na hora errada, o empurrão que pode faltar para a queda no abismo. Mas sobre isso voltaremos a falar.
Viva o Benfica.
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