Nuno Campilho
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15 Jan 2026 | 15:34

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Nuno Campilho

Estou convicto de que estão a ser lançadas as bases para um futuro de sucesso. Um futuro de vitórias e conquistas que não nascerá do populismo nem da gritaria.


Há derrotas que empobrecem e há derrotas que esclarecem. O jogo de ontem pertence, sem margem para dúvida, à segunda categoria. O Benfica perdeu, é factual. Mas perdeu como equipa: organizada, competitiva, com identidade e com sinais claros de um processo que está longe de estar esgotado – apesar de haver quem precise desesperadamente que assim pareça.


Convém dizê-lo com frontalidade, sem medo das palavras: quem olha para o Benfica atual e só vê doença terminal não está a analisar futebol; está a projetar frustrações, preconceitos e, nalguns casos, agendas pessoais. O resultado foi negativo. A exibição não. E é precisamente aqui que começa a grande mentira que se tenta vender todos os dias – a de que o Benfica está perdido, sem rumo, sem qualidade e sem liderança.

A crítica que não quer ver


Há sócios que afirmam, com ar grave, que este tipo de resultado “já é normal e expectável”, que a justiça no futebol é subjetiva e, por isso, irrelevante para a análise. Curiosamente, essa relativização termina quase sempre quando o prejuízo não é do Benfica. O argumento da “normalidade” da derrota serve apenas para reforçar uma conclusão previamente decidida: a de que tudo está mal, estruturalmente mal, irremediavelmente mal.

Os exemplos que vão sendo dados – um adversário eficaz, que defende bem e marca num lance – são reais. Mas o que se omite é igualmente real: o Benfica criou mais, esteve mais vezes em condições de marcar e perdeu não por incapacidade coletiva, mas por momentos de ineficácia individual que não definem nem o valor dos jogadores nem o sentido do trabalho. Reduzir um processo a um remate falhado aos 90 minutos é análise pobre, mesmo quando travestida de exigência.

O vício da indignação permanente

Instalou-se no espaço público benfiquista uma fauna particularmente nociva: os profissionais da indignação constante. Nada presta, ninguém serve, tudo é motivo para acusação moral. Não se discute futebol; discute-se caráter. Não se avaliam decisões; decretam-se traições. E, como se isso não bastasse, aponta-se o dedo aos próprios sócios que, de forma livre e democrática, legitimaram a continuidade da atual direção, acusando-os de ingenuidade ou de conivência com a “mentira”.

Isto não é exigência. É ruído. É corrosão interna. É uma tentativa persistente — e perigosamente eficaz — de reescrever a realidade pela repetição obsessiva do exagero.

Arbitragem: quando a desfaçatez se torna padrão

Ignorar o contexto arbitral do jogo de ontem seria intelectualmente desonesto. O Benfica não perdeu apenas contra um adversário eficaz; jogou também contra decisões que, no mínimo, levantam sérias dúvidas. Duas situações passíveis de grande penalidade a favor do Benfica ficaram por assinalar. No lance que antecede o golo adversário, subsistem dúvidas legítimas sobre uma falta cometida sobre o Ríos. Houve ainda um ataque prometedor interrompido por uma falta inexistente assinalada ao Sidny quando seguia isolado.

Mais grave ainda é o enquadramento. A nomeação de um árbitro que recentemente esteve envolvido num episódio insólito – com imagens de um lance do Porto-Braga a passarem em loop no balneário ao intervalo – é, no mínimo, um ato de uma enorme insensibilidade institucional. Tudo isto configura uma desfaçatez e um desrespeito evidentes para com o Benfica por parte do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

E aqui, sim, há um ponto que começa legitimamente a incomodar: o silêncio do próprio Benfica. Uma postura construtiva é virtuosa. Um silêncio prolongado perante padrões repetidos começa a ser lido como passividade. Não se pede histeria nem guerrilha institucional, mas exige-se firmeza clara na defesa dos interesses do clube.

Projeto, não improviso

O Benfica está a construir. Esta palavra irrita quem prefere o imediato, o estrondo, a solução milagrosa. Mas construir é exatamente o que os clubes vencedores fazem quando recusam viver reféns do desespero. Há uma estratégia desportiva mais coerente, uma gestão de ativos mais racional e uma aposta deliberada na estabilidade técnica.

Isto não garante títulos automáticos – ninguém sério o promete – mas cria condições reais para que eles voltem a ser consequência natural do trabalho e não produto ocasional de um acaso feliz. Confundir prudência com mediocridade é um erro grave; fazê-lo sistematicamente já não é erro, é escolha.

A falácia da “legitimidade moral”

Outra mentira recorrente é a ideia de que as últimas eleições estão feridas de “legitimidade moral”, como se a discordância pessoal pudesse anular um processo democrático. Pode criticar-se a direção, as promessas, as opções estratégicas. O que não se pode é deslegitimar os sócios que votaram de forma consciente, reduzindo-os a vítimas enganadas. Isso é profundamente antibenfiquista.

Apoiar a atual direção e a atual equipa técnica não é abdicar da exigência. É exercer uma exigência adulta, informada e responsável. A verdadeira exigência não se mede pelo volume do insulto nem pela rapidez com que se pede a cabeça de alguém. Mede-se pela capacidade de distinguir erros estruturais de tropeços circunstanciais, processos de resultados, crítica de sabotagem.

O futuro não é um slogan

Estou convicto de que estão a ser lançadas as bases para um futuro de sucesso – talvez mais próximo do que muitos admitem. Um futuro de vitórias e conquistas que não nascerá do populismo nem da gritaria, mas da continuidade de um projeto legitimado pelos Sócios, corrigido onde tiver de ser corrigido e sustentado pelo trabalho diário.

A verdade da mentira é simples: o Benfica não está em queda livre. Está em fase de afirmação, apesar dos erros, apesar das adversidades e apesar do ruído interno e externo. E aqueles que hoje gritam “doença” e “desastre” serão, como quase sempre, os primeiros a dizer que “sempre souberam” quando os resultados chegarem.

Até lá, convém recordar o essencial: o Benfica é maior do que a histeria, maior do que a má-fé e maior do que o silêncio cúmplice de quem devia saber melhor. E continuará a prová-lo – dentro de campo, onde realmente importa.

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Nuno Campilho
Nuno Campilho

15 Jan 2026 | 15:34

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A verdade da mentira

Estou convicto de que estão a ser lançadas as bases para um futuro de sucesso. Um futuro de vitórias e conquistas que não nascerá do populismo nem da gritaria.

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Nuno Campilho
Nuno Campilho

A verdade da mentira

Estou convicto de que estão a ser lançadas as bases para um futuro de sucesso. Um futuro de vitórias e conquistas que não nascerá do populismo nem da gritaria.

15 Jan 2026 | 15:34

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Pedro Jerónimo
Pedro Jerónimo

O tal Benfica, a tal ausência do criativo e a despersonalização encarnada!

Agora? É apenas honrar o manto e demonstrar que conseguem ser uma equipa. Reforço apenas: Rios não pode jogar nesta equipa, ficou bem patente hoje.

14 Jan 2026 | 22:57

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Tozé Santos e Sá
Tozé Santos e Sá

APONTAMENTO – Vermelho e Branco: QUEM MANDA NO BENFICA?

Levamtam-se dúvidas a respeito do trabalho que Rui Costa tem vindo a realizar, frisando que o Presidente dos encarnados tem demonstrado muita incompetência

02 Jan 2026 | 03:00

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