Obrigação de acreditar
Após triunfo suado, frente ao Gil Vicente, e com Clássico à porta, é tempo de lutar pelo objetivo máximo até ao fim, custe o que custar
03 Mar 2026 | 03:00
Após triunfo suado, frente ao Gil Vicente, e com Clássico à porta, é tempo de lutar pelo objetivo máximo até ao fim, custe o que custar
Dez jogos. É tudo o que resta. Dez finais, dez capítulos para decidir se esta época será apenas mais um exercício de frustração ou um ato de resistência à benfiquista. Sete pontos de atraso para o Porto não são um detalhe irrelevante, mas também não são uma sentença definitiva. A matemática ainda não matou ninguém. O que costuma matar o Benfica é a desistência precoce.
E isso, para um clube com a dimensão do Sport Lisboa e Benfica, não pode ser aceitável.
Tenho escrito muito, talvez demais, a partir da desilusão. Em textos como “Estavam à espera de diferente” ou “Que futuro, Benfica?”, o tom foi o do adepto cansado, do benfiquista que já viu este filme vezes suficientes para reconhecer o final antes dos créditos. Mas esta reta final da época obriga-me, obriga-nos, a um exercício diferente: acreditar, não porque tudo indica que vamos ganhar, mas porque não acreditar é abdicar da única coisa que ainda nos resta.
Curiosamente, há sinais. Tardios, é certo, mas reais.
As alterações de José Mourinho, o famoso dedinho, começam finalmente a ser visíveis. Não falo de revoluções táticas nem de exibições arrebatadoras. Falo de pequenas correções, de uma equipa mais curta, mais racional na ocupação dos espaços, menos perdida entre ideias contraditórias, mais agressiva e com maior presença na área adversária. Esses sinais já estavam lá, por exemplo, naquele empate a zero frente ao Tondela, um jogo que muitos olharam como mais um tropeço, mas onde, analisando com atenção, já se percebia um Benfica menos caótico e mais consciente do que queria fazer em campo.
O problema é que isso não chega.
Há algo que sempre definiu Mourinho e que ainda não consigo sentir neste Benfica: a convicção absoluta. Aquela sensação quase física de que os jogadores entram em campo convencidos de que vão ganhar. Não é soberba, é crer. É aquela energia invisível que passa do banco para o relvado, do relvado para as bancadas, e das bancadas para o país inteiro.
Neste momento, vejo uma equipa que tenta jogar melhor, mas não vejo ainda uma equipa que acredita verdadeiramente que pode ser campeã. E enquanto os jogadores não acreditarem, a massa adepta, essa imensa, exigente e emocional massa adepta do Glorioso, continuará suspensa entre o apoio e o ceticismo.
Dez jogos são tempo suficiente para recuperar sete pontos, mas sobretudo, para mudar estados de espírito. E, às vezes, é isso que decide campeonatos.
Se esta época terminar em fracasso, que seja por incapacidade, não por desistência. Que o Benfica caia, se tiver de cair, a atacar, a pressionar, a acreditar até ao último minuto. Que faça o que sempre nos fizeram: vender a derrota um preço ainda não visto. Porque isso, mais do que títulos, é o mínimo que se exige a quem veste esta camisola sagrada.
Dez jogos. Não são muitos. Mas ainda são todos.
Por isso, acreditar não é ingenuidade. É obrigação.
Viva o Benfica!
Obrigação de acreditar
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