João Silva
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07 Fev 2023 | 15:33

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João Silva

O jogo de onze para onze, que descrevi como simples, tende cada vez mais a ser complexo e a ter vencedores antecipados, com os clubes “novos ricos” a distanciarem-se dos “menos ricos”.

Vamos começar pelo fim: futebol é uma modalidade desportiva que coloca frente a frente duas equipas, formadas por onze jogadores cada, para se defrontarem. O objetivo do jogo é fazer entrar a bola na baliza adversária. Vence a equipa que marcar mais golos. Simples.


Mas o futebol que hoje assistimos nos estádios ou pela televisão, é muito mais do que um (simples) jogo de futebol. É cada vez mais um universo paralelo, onde os humanos se distanciam de outros humanos. Futebol é negócio e movimenta de forma imparável milhões e mais milhões, ano após ano.

Hoje, clubes, proprietários, jogadores e empresários erguem bem alto essa bandeira negocial. Batem cláusulas de rescisão, fazem contratos milionários e estabelecem recordes atrás de recordes nas verbas aplicadas nas transferências de jogadores.


Vejamos. Enzo Fernández foi vendido pelo Benfica ao Chelsea por mais de 120 milhões de euros. Sozinho, o Chelsea gastou 330M€ na janela de inverno, mais do que a Liga espanhola, francesa e italiana juntas (260€M). Os clubes da Liga inglesa gastaram 500M€.

No início do ano, Cristiano Ronaldo assinou pelo Al Nassr um contrato válido até 2025 pelo astronómico valor de 500 milhões de euros. Pelo meio, o contrato prevê ainda vários luxos como um avião e uma mansão.


Nunca como hoje se assistiu a tamanha loucura de verbas, seja na aquisição ou em contratos com jogadores de futebol. Num mercado há muito inflacionado, o jogo de onze para onze que descrevi como simples, tende cada vez mais a ser complexo e a ter vencedores antecipados, com os clubes “novos ricos” a distanciarem-se dos “menos ricos”.

A simplicidade do jogo tornou-se num emaranhado interesses, onde para se fazer um bom negócio não entram desculpas estapafúrdias como a pandemia, a inflação galopante, a guerra na Ucrânia, a bolha imobiliária, a crise financeira ou nem mesmo o Fair Play financeiro… Nada! O Barcelona que o diga, que, apesar dos resultados financeiros catastróficos, foi o sexto clube que mais gastou na Europa, com a modesta quantia de 153M€.

Talvez um dia estejamos todos a debater novos limites para a aristocracia que se está a apoderar do futebol e a pedir um travão ao crescimento galopante das verbas de transferências do jogo que nasceu como “só futebol" e hoje parece transformado em “só dinheiro”.

Mas, para já, o grito telefónico – “Show me the Money” – imortalizado por Tom Cruise e Cuba Gooding Jr, em Jerry Maguire, são o exemplo acabado do que parece se ter transformado o futebol.

Afinal, “it´s all about money”…

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João Silva
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