Bernardo Alegra
Biografiado Autor

10 Set 2026 | 09:54

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Bernardo Alegra

O que é isso? Um chavão vazio, dirão os ignorantes. Uma visão romântica e utópica, dirão os descrentes? Uma impossibilidade, dirão os incompetentes. Só que não


Jogar à Benfica é, em primeiro lugar, assumir o legado histórico de um clube que entra em qualquer jogo, contra qualquer adversário, em qualquer campo, para ganhar. De peito feito, orgulhoso e temerário, sabendo que os onze que entram em campo são os herdeiros de monstros que fizeram da nossa camisola o manto sagrado que milhões ao longo dos anos sonharam um dia envergar.


Mas jogar para ganhar não chega. E aqui vou buscar uma história de que me recordo bem. Corria o ano de 1987 e o Benfica era campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal. Ao leme da equipa estava John Mortimore, o inglês de poucas palavras e sorrisos. Ganhou tudo, mas com um futebol aborrecido, com vitórias magras e uma média de 1,7 golos marcados por jogo (um dos piores registos de sempre de um Benfica campeão). No final da época, João Santos, o presidente recém-eleito, que sabia bem o que era jogar à Benfica, despediu o técnico inglês.


Não se pode dizer que no ano seguinte tivéssemos feito muito melhor, mas João Santos sabia bem o que queria e em 1989, fez o mesmo: despromoveu Toni, recém campeão e com uma final na Taça dos Campeões Europeus e faz regressar Sven-Goran Ericksson o treinador que melhor representava o futebol exigido pelos adeptos. No Benfica não basta ganhar: é preciso ganhar e entusiasmar os seus adeptos. É daqui que vem a sua maior força: a famosa onda vermelha que percorre campos aquém e além-fronteiras a celebrar em conjunto as vitórias, claro, mas mais do que isso: o futebol. Ou não fossemos nós os que em todos os jogos celebramos em uníssono as camisolas berrantes, que nos campos a vibrar, são papoilas saltitantes

Marco Silva sabia do que falava quando disse ao que vinha. E como não é ignorante, descrente ou incompetente, precisou de menos de uma dúzia de jogos já nos mostrou ao que veio.

Já tenho anos suficientes para saber bem que não é possível jogar uma época inteira como temos jogado nestes primeiros jogos. Nem vamos ganhar sempre, nem seremos tão dominantes: porque a época é longa e as pernas vão pesar, porque há adversários capazes que nos vão saber contrariar e porque, muitas vezes, mesmo quando parecemos e somos melhores, o futebol é cruel e lembra-nos que também se ganha sem jogar à Benfica.

Ainda assim, correndo o risco de me desiludir e desesperar, prefiro caminhar pelos acessos ao Estádio da Luz entusiasmado e ansioso com o que me espera, a sonhar com novas glórias e heróis, do que me sentir dormente, adormecido e quase conformado, com o que uns chamam de pragmatismo e eu chamo de heresia.

Fico-me pelo quase e não me conformo. Sendo fiéis a nós mesmos, estaremos sempre mais perto de ganhar.

Prefiro correr o risco de perder a jogar à Benfica do que ganhar à Mortimore.

Viva o Benfica!

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Bernardo Alegra
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Jogar à Benfica

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