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20 Fev 2023 | 11:32
Não é, nem nunca será o “Chidane”, mas ser Chiquinho já não é vergonha nenhuma. Pelo contrário, é um exemplo
Sempre achei piada à história do jogador desconhecido que o Benfica descobre na 2ª divisão e, num salto de tempo, se torna titular do Glorioso.
Ao longo dos mais de 40 anos que acompanho o Benfica, exemplos destes contam-se pelos dedos de 1 mão e, com o evoluir das metodologias de treino, scouting e maior abertura a mercados externos, são ainda mais raros, mas não menos interessantes.
O primeiro destes que me lembro foi de um tal Vitor Araújo, conhecido para a eternidade como Vítor Paneira. Lembro-me como hoje de o ver aquecer para entrar ao intervalo, no estádio do Barreiros, e da forma como era olhado com desconfiança e até gozo pelos adeptos de bancada. Como é que um miúdo, que vinha do Vizela, podia ser titular na equipa vice-campeã europeia? Acabou o ano com 40 jogos, 2 golos e Campeão Nacional. O resto é história.
30 anos depois, em 2018, o Glorioso vai à Académica, então na 2ª liga, buscar um tal de Francisco Machado, conhecido já como Chiquinho. Eu não o conhecia, mas os números entusiasmavam. Falava-se num número 8 com qualidade acima da média e os números confirmavam-no: nove golos e cinco assistências. Depois de pagar 600 mil euros* pelo seu passe, o Benfica cede-o ao Moreirense a custo zero* e eis que Chiquinho é uma das grandes figuras da equipa sensação, que termina o campeonato em 6º lugar, contribuindo com 10 golos e sete assistências.
Perante isto, volta à casa de partida num dos muitos negócios incompreensíveis do então presidente do Benfica, que paga 5,25 milhões de euros* por um jogador que meses antes cedeu a custo zero. Este negócio, não sendo culpa dele, não o favorece nos anos que se seguem, já que todos olhávamos com desconfiança para os jogadores que eram contratados em negociatas semelhantes, em que alguns ganhavam e só um perdia sempre: o Benfica.
Ainda assim, o destaque que teve no Moreirense dava ao Chiquinho um crédito que outros, antes e depois, não teriam. E a verdade é que durante três anos ele não os mereceu e não foi por falta de oportunidades. Foram mais de 60 jogos, só pelo Benfica, a que se seguiram dois empréstimos sem grande sucesso. Nesse período Chiquinho não entusiasmou, para ser simpático. Muitas vezes levava ao desespero o adepto que o via entrar, mas raramente o via em campo.
E eis que chega Roger Schmidt e o rapaz, que resistiu a treinadores e à muita desconfiança dos adeptos, começa a dar mostras que afinal havia razão para ele estar no plantel. Não vou aqui embarcar em comparações absurdas com jogadores que preferiram ir jogar para o 10º classificado da Premier League, ou com um dos maiores jogadores da história do futebol (por favor....) e até me parece que não vai ter vida fácil para se manter titular agora que Ramos e Rafa recuperaram de lesão, mas o melhor que se pode dizer é que também não é nada certo que vá deixar de ser.
Chiquinho é mais um excelente exemplo de que um grande treinador tira o melhor de todos os jogadores, especialmente daqueles que precisam de uma equipa competente na qual sabem exatamente qual o seu papel. Roger Schmidt conseguiu-o. Mas o mérito é sobretudo do Francisco Machado que, contra todas as adversidades (e não foram poucas), se manteve focado no essencial: aproveitar todos os dias para mostrar que merece ser jogador do Sport Lisboa e Benfica.
Não é, nem nunca será o “Chidane”, mas ser Chiquinho já não é vergonha nenhuma. Pelo contrário, é um exemplo!
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