Pedro Jerónimo
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14 Jan 2026 | 22:57

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Pedro Jerónimo

Agora? É apenas honrar o manto e demonstrar que conseguem ser uma equipa. Reforço apenas: Rios não pode jogar nesta equipa, ficou bem patente hoje.


Quartos de final da Taça de Portugal e um clássico do futebol português, com os encarnados a deslocarem-se ao Dragão. Jogo a eliminar e, quiçá a última oportunidade da conquista de um troféu esta época para o Benfica.


Muitas baixas no lado dos visitantes, desde o castigado Otamendi e os lesionados do costume. Dúvidas físicas quanto a Enzo e António Silva o que podia promover que o "miúdo" Gonçalo Oliveira se estreasse no onze.


Depois do adeus à Taça da Liga, a conquista do campeonato, cada vez mais, a ser vista como inalcançável, pouco sobra a este Benfica de Mourinho e nem a qualidade exibicional é motivo de elogio.

É um Benfica sôfrego, sem personalidade, sem garra, sem vontade e sem dinâmicas de jogo.

Onze do Benfica com várias surpresas, com as entradas de Prestianni e Cabral para as alas e saíam Manu e Sudakov do onze. Aursnes a juntar-se a Rios no centro e Barreiro a ser o pivô, o todo-o-terreno. António Silva recuperado e fazia dupla com Tomás.

Mourinho a apostar, claramente, em homens com mais projeção lateral, contudo, lançar Cabral a titular, pela primeira vez, num jogo a eliminar e com este nível de pressão, bem como Prestianni, que ultimamente denota muito nervosismo dentro de campo, com entradas perigosíssimas? Os 90 minutos o diriam. Um Porto que está implacável no campeonato e coloca em campo aquela agressividade de pressão e que recuperou a sua velha mística.

Começava a partida e um Porto muito pressionante, muito faltoso e com abordagens aos lances no limite, aliás, nos primeiros 3 minutos o Porto já ia com 4 faltas (em 2 o árbitro deu a lei da vantagem).

10 minutos e boa oportunidade para o Benfica, com Aursnes a trabalhar na esquerda, dá para Dahl que cruza rasteiro, tabelinha entre Pavlidis e Rios e remate de Prestianni, em zona central e já dentro da área, mas a sair muito por cima.

Mas aos 15 minutos de depois de 3 cantos consecutivos, centro direitinho para a cabeça de Bednarek que inaugura o marcador no Dragão. Erro clamoroso de marcação, pois quem estava a marcar o central do Porto? Barreiro que tem menos de 16 cm que o central polaco, nem precisou de saltar. São sucessivos os erros desta equipa e por coisas incompreensíveis.

A equipa perdia completamente o ânimo e logo 3 minutos depois, dupla oportunidade para o Porto, com duas defesas sucessivas. Outra coisa que não se entendia era a o espaço que a linha defensiva do Benfica, dava à linha ofensiva do Porto. Tomás, António e os laterais, não pressionavam em cima os defesas e deixar embalar Samu, Borja e Pepe, jogadores bem rápidos, é um risco enorme. Mais, este fosso criado, complicava, inclusive, a saída da bola, que depois era lenta, sem velocidade dos jogadores em surgir no espaço vazio. Era um Benfica pobre, sem dinâmicas e muito, muito previsível. Meio campo lento demais e sem criatividade, ou garra para conseguir ser o "carregador de piano".

Sucediam-se os erros na defesa, agora era Dahl que quase oferecia o segundo a Borja, depois de tentar fintar em zona proibida, valeu Tomás a atirar para canto.

Benfica, palidamente, tenta responder e surge Cabral em profundidade, mas não aguenta uma carga de ombro de... Pepê.

Lá atrás continuavam os problemas, António Silva não ganhava um duelo a Samu e era sempre o bombeiro Tomás a vir em auxílio.

35 e 38 minutos, mais duas oportunidades para o Porto, mas a sairem ao lado da baliza de Trubin. Era um Benfica refém da agressividade do Porto e que se rebaixava, com receio, lá está, a falta de personalidade. 43 minutos e saía Rios lesionado no ombro e entrava Sudakov, o que fazia prever que Barreiro ia para a zona central, fazer dupla com Aursnes.

Jogo muito duro, quezílias e vários amarelos nos primeiros 45 minutos. Mesmo antes do apito para o intervalo, enorme defesa de Diogo Costa, depois de um remate de Barreiro, ainda toca num defesa e o guardião luso, com a ponta da bota, desvia a bola da baliza. Na ressaca, Dedic remata para as nuvens.

Tempo de intervalo e parecia um Benfica, com a saída de Rios, que estava mais rápido no sector intermédio e conseguia progredir, em processos de rutura, mais facilmente. Veríamos se a toada era para manter para o segundo tempo.

Começava a segunda parte, sem alterações de ambos os lados.

Sem dúvida que o meio campo encarnado se comportava de outra forma, mais rápido a sair e jogadores a ocupar os espaços vazios. Rios é um jogador que prende muito a bola, demora a soltar e quando levanta a cabeça, os jogadores soltos já estão marcados. Mas outro dos grandes problemas deste Benfica é a criatividade, falta aliar, à velocidade, a criativade para criar lances de um para um, ou para criar lances de perigo com rasgos técnicos.

Primeiros 10 minutos muito mornos, com o Porto a abrandar o ritmo.

59 minutos e nova excelente oportunidade para o Benfica empatar, Prestianni não desiste do lance, centra para área, Pavlidis deixa para Tomás que remata a rasar o poste esquerdo da baliza do Porto.

Benfica estava a dominar o jogo, conseguia a posse e estava a rematar à baliza de Diogo. Será que a receita era mesmo a saída de Rios do onze?

Benfica a insistir muito no lado esquerdo, quando era sempre pela direita que surgiam os lances de maior perigo, tanto por Dedic, como por Prestianni e isto acontecia porque Sudakov descaía para o lado de Dahl e Cabral e o Benfica perdia vários lances ofensivos por esse motivo, pois não conseguia dinamizar este flanco.

Sidny era já um jogador a menos, para além de ter quebrado fisicamente, era um jogador que não defendia. Bom, mas Mourinho tinha impressão diferente e tirava Prestianni e colocava Schelderup. Incompreensível esta substituição, tira um dos jogadores que tornava o flanco direito muito perigoso e ao invés de tentar dinamizar o lado esquerdo, com um jogador sem rendimento físico, faz precisamente o contrário.

Atingia-se já os 75 minutos e um jogo muito pausado, tanto por assistências aos jogadores, como várias substituições, quezílias.

A equipa de Mourinho já trabalhava com o coração, entrava muito à queima na tentativa de recuperar rapidamente o esférico e o Porto sabia disso, o que tornava mais fácil a troca de bola para os homens da casa. Cabral saía apenas aos 83 minutos e entrava Ivanovic.

É doloroso ver Pavlidis, como excelente ponta de lança que é, a descer ao meio-campo defensivo, a vir buscar jogo. A tática do Benfica a resumir-se a isto.

Porto fechado no seu sector mais recuado e o Benfica a rodar a bola, à procura do espaço, à procura do criativo que não existe nesta equipa.

Tanto se elogia Pavlidis, que falha um golo cantado aos 91 minutos, onde tinha apenas de empurrar a bola e raspa com a bota no esférico. Não se podem falhar estes golos, especialmente nestes jogos e a eliminar.

Até ao apito final, nada mais de destaque, a não ser mais quezílias e o coração junto à boca.

Acabou-se a última chance de vencer um troféu esta época. Uma segunda parte que demonstrou personalidade, este sim tinha de ser a mentalidade e não a equipa receosa dos primeiros 45 minutos.

Pela segunda parte que fez o Benfica, não merecia sair derrotado, mas a balança pende sempre para quem está na mó de cima. Apenas relembrar Rui Costa que Porto e Sporting já fizeram várias contratações cirúrgicas, o Benfica foi contratar ao Estrela da Amadora o Sidny por 6 milhões. Não é jogador para o Benfica, faz bons cruzamentos, mas apenas e só isso mesmo.

Mais uma época cinzenta, mas esta será ainda mais negra devido ao cenário que está pela frente: Taça da Liga e de Portugal já passaram ao lado. Liga dos Campeões está perto também de findar e o campeonato, há muito que terminou.

Agora? É apenas honrar o manto e demonstrar que conseguem ser uma equipa. Reforço apenas: Rios não pode jogar nesta equipa, ficou bem patente hoje. Carrega!

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Pedro Jerónimo
Pedro Jerónimo

O tal Benfica, a tal ausência do criativo e a despersonalização encarnada!

Agora? É apenas honrar o manto e demonstrar que conseguem ser uma equipa. Reforço apenas: Rios não pode jogar nesta equipa, ficou bem patente hoje.

14 Jan 2026 | 22:57

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Tozé Santos e Sá
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