Carlos Janela
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29 Dez 2022 | 11:28

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Carlos Janela

Um Treinador deve respeito hierárquico ao Director Desportivo e/ou ao CEO da SAD, mas a sua ligação hierárquica deve ser directa com o Presidente

As lideranças têm um efeito decisivo no destino das instituições, neste caso particular, no rumo dos clubes.


Os clubes, pequenos ou grandes, não se gerem, nem se protegem a si próprios. São os dirigentes dos clubes, os administradores das SADs e os Treinadores, os principais responsáveis pelo funcionamento, pela dinâmica e pelas decisões que determinam o presente e o futuro dos clubes.

Entre o grupo de dirigentes, gestores e técnicos que trabalham num clube, as duas personalidades mais importantes e determinantes são o Presidente e o Treinador principal. Estes são os principais responsáveis dos êxitos de um clube/SAD. Ou, como acontece muitas vezes, os culpados maiores pelo fracasso do projecto desportivo.


Eles são a chave e a fechadura do sucesso de um clube com grandes ambições.

O Presidente, escolhe o modelo de gestão, dirige e coordena a “equipa que joga fora do campo” – os dirigentes e profissionais de diferentes áreas e níveis.


O Treinador, seleciona, treina e comanda a equipa que joga dentro do campo.

Nem o Presidente faz as tarefas do treinador.

Nem o Treinador exerce alguma das competências do presidente.

O Presidente é para dirigir nos gabinetes, o Treinador é para treinar no campo.

Cada um tem um perfil de competências bem definido, completamente diferentes, mas que se devem completar e sincronizar para bem do sucesso desportivo do clube – a Causa Comum.

O acto de gestão mais relevante, mais decisivo e mais definidor de um Presidente é, sem qualquer dúvida, a escolha do Treinador.

Um Presidente pode falhar na indicação de um vice ou errar na nomeação de um diretor-geral, mas não pode enganar-se na selecção do Treinador. O Treinador é o elemento mais relevante, essencial e determinante do sucesso desportivo de um clube.

Cabe ao Presidente assegurar a estabilidade, inspirar a confiança e transmitir a ambição necessárias para a “equipa que joga no campo” sob comando do Treinador, possa ter o êxito desportivo ambicionado.

O Treinador, sempre em sintonia com o Presidente, deve valorizar e rentabilizar os recursos humanos à sua disposição, formando uma equipa capaz de ser melhor que os seus adversários em cada jogo e em cada competição.

É na gestão diária das vantagens mútuas destas duas lideranças que está o segredo do sucesso ou a causa do fracasso de um Clube/SAD.

Para um clube ser bem-sucedido é obrigatório tomar decisões difíceis e introduzir mudanças selectivas dentro e fora do campo.

Por isso, é fundamental que ambos sejam líderes dominantes nas suas esferas de competência e intervenção.

A boa resolução dos problemas diários, as opções mais difíceis e a dinâmica positiva do clube, depende do nível de fidelidade da relação entre o Presidente e o Treinador.

É obvio que um Treinador deve respeito hierárquico ao Director Desportivo e/ou ao CEO da SAD, mas a sua ligação hierárquica deve ser directa com o Presidente.

A chave do sucesso desportivo dos grandes clubes está nos méritos pessoais e profissionais do Presidente e o Treinador.

Ninguém acredite naquelas teorias tecnocráticas que repetem a falácia que “são as estruturas que ganham títulos”. Mesmo as organizações superlativas não conseguem singrar com líderes fracos.

Por isso, os sócios e adeptos nunca devem ignorar ou subestimar os papéis do Presidente e do Treinador.

É intransmissível a soberania/autoridade do Presidente dentro de um clube, mesmo que tenha um grupo de bons dirigentes. Da mesma forma, que é insubstituível a figura, o poder, a autoridade e a competência do Treinador Principal dentro de um clube, mesmo que os membros da equipa técnica tenham alto nível de qualificações.

Eles são o GPS que determina o rumo e o destino dos clubes, tornando o caminho mais seguro ou mais sinuoso.

Termino, desejando um Ano 2023 cheio de Alegrias!

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