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29 Jun 2026 | 17:24
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15 Set 2024 | 12:00 |
João Diogo Manteigas defende que o Benfica deve avançar para a renegociação da dívida o mais rapidamente possível. Em entrevista exclusiva ao nosso Jornal, o candidato à Presidência do Clube da Luz fala em “amadorismo” na gestão da SAD e dá exemplo de … Otamendi.
“Benfica não tem outra hipótese se não reestruturar a dívida a nível transversal”
Glorioso 1904 (G). Qual é a sua posição sobre a dívida do Benfica?
João Diogo Manteigas (JMD). A cativação de receitas é obrigatória. Se o Benfica não cativa receita, como é que paga a dívida, se não há receitas extraordinárias? Temos de assumir que as vendas de jogadores se tornaram receitas ordinárias. Aliás, em abril, Luís Mendes disse que todos os clubes em Portugal têm de vender jogadores. Rui Costa está sempre a dizer isso. Há uma dependência de vendas. Apenas por aí, o projeto falhou.
Há outra questão que é, de vez em quando, o Benfica tem de ir buscar dinheiro. Tem duas formas de o fazer. Empréstimos obrigacionistas consideráveis, que tem vindo a acontecer nos últimos anos. O Benfica lança o empréstimo obrigacionista e depois reforça porque a procura é grande. É o Benfica. Quando o Benfica lança algo, as pessoas vão à procura, sejam ou não Benfiquistas. A maioria dos investidores, se calhar, nem são Benfiquistas. Há uma procura muito grande porque o Benfica é uma marca que cumpre.
Há outra forma de ir buscar dinheiro, que são contas correntes ou de apoio à tesouraria. Nas contas, vemos que há lá um banco estrangeiro, que é o LB Bank, alemão. Percebe-se que são contas correntes daquelas que, ao semestre, temos interesse em liquidar no imediato para não aparecerem nas contas.
O Benfica está constantemente a precisar de dinheiro. Há outras provas, como a antecipação da venda do Gonçalo Ramos. É evidente. A questão das vendas em cima do joelho. Todas umas atrás das outras. Um clube quando tem de vender porque está à beira do colapso e precisa de mascarar as contas, tem de o fazer (renegociar a dívida) obrigatoriamente, não pode esperar. Não vai fazer nada em termos comunicativos para os Sócios e Adeptos. É para vender, é para vender. Mais vale assumir imediatamente isso do que estar a esperar pelo tempo que vai ser sempre pernicioso e nocivo para a SAD. Há algum amadorismo na gestão do processo propriamente dito porque é inevitável quem mais se tem de valor em casa. Há uma comunicação que não é real relativamente àquilo que na realidade acontece.
O Benfica não tem outra hipótese se não reestruturar a dívida a nível transversal. Dentro da reestruturação, não sei se o Benfica não devia procurar um mercado emergente, com capital. Hoje em dia, temos os Estados Unidos e a Arábia Saudita, para poder convolar tudo num pacote e pagar a essa entidade e aliviar a carga que tem deste lado.
Cativações têm de ser uma projeção a médio/longo prazo. A receita não cai toda de uma só vez quando vendo um jogador. Os clubes nunca pagam os 60 milhões a pronto. As coisas são pagas em prestações de quatro/cino anos. As pessoas têm uma ideia de que o João Neves é vendido e caem logo os 60 milhões na conta. Não é assim. O PSG é muito rico, mas o dinheiro ainda tem de sair lá do país de onde sai, entrar em Paris e ir não sei para onde.
Acima de tudo, cortar em fornecimentos e serviços externos. Sou acionista da SAD e, se mandar uma carta ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, posso estar aqui cinco anos à espera que me digam e descrevam quem é que são os protagonistas dos FSE. Não me vão responder. Nem no Clube me respondem, quanto mais na SAD. Posso fazer uma queixa na CMVM. Vou fazer isso? Não me parece que seja o caminho a seguir.
Otamendi? “É uma renovação que não consigo entender”
G. E quanto à renovação com os jogadores de salários mais elevados?
JDM. O Di María até é um caso excecional porque beneficia de um determinado regime (fiscal) de regresso que permite ao Benfica poupar dinheiro, embora tenha um salário elevado. Desportivamente, não sei se esperamos do Di María aquilo de que precisamos.
Mas temos o caso do Otamendi. É uma renovação que não consigo entender. Sou suspeito porque, quando foi renovado o contrato, disse publicamente que era um erro por causa da promoção do talento e era preciso lançar o António Silva e o Tomás Araújo. Tenho que lançar outros jogadores. Não tem a ver com o Otamendi em si, tem a ver com o custo que tenho com o Otamendi e com aquilo que ele me dá em campo. É capitão? Certo, mas há coisas que não justificam a manutenção de determinados jogadores.
Quando o Benfica contrata jogadores por 20 milhões de euros, esses atletas recebem bem e implica que não se consiga renovar com um Rafa, que está a pedir o mesmo que esses jogadores que acabei de trazer e estão a ganhar mais do que ele. Isto é política de gestão, desportiva e financeira. Não é científico, nem da NASA. É fácil, tem de se aplicar mediante aquilo que está a acontecer. Quem entrar lá dentro, vai ter muita dificuldade em reorganizar tudo isto, mas vai ter de se sentar com todos os credores.
“Benfica tem de ganhar com a centralização e não pode ser prejudicado”
G. Qual a sua posição sobre a centralização dos diretos televisivos do futebol português?
JDM. A pergunta que me foi fazer [risos]. Não sou contra a centralização. Sou contra um determinado tipo de centralização que não vá ao encontro daquilo que os clubes têm de receber. Não digo só do Benfica. Agora, há aqui uma questão. O Benfica é maior que todos os outros. Não estou a falar desportivamente, nem vou por aí. Falo puramente a nível económico e financeiro.
Há um problema relativamente à centralização. Foi um decreto-lei imposto no COVID sem pés nem cabeça. Aquilo foi ‘tem de ser, isto é bom para o futebol português, entendam-se, façam um projeto e mandem que depois vemos e validamos’. Isto não funciona assim.
A questão da centralização tem sido sustentada com base no sucesso que têm tido outros países e outras ligas. Não consigo entender como se compara o futebol português à liga inglesa, italiana, francesa… Não faz sentido nenhum comparar a liga portuguesa com as principais ligas europeias por duas razões. A primeira é que não temos a capacidade financeira que todas essas têm. A segunda é que, culturalmente, ninguém consegue enfiar na cabeça que Portugal tem três clubes que têm basicamente tudo o que é a atenção dos Sócios e adeptos.
O Governo devia colaborar com a Federação Portuguesa de Futebol e com a Liga para fazer um censo para saber qual a percentagem de sócios e adeptos do Benfica, Porto, Sporting e dos outros clubes. Há 10 anos, havia uma massa grande adepta do Vitória de Guimarães, o Braga estava a aumentar e havia um outsider fenomenal que era o Setúbal. Era o quinto classificado em termos de sócios e adeptos. Tinha uma massa associativa brutal e fidedigna.
A centralização só pode ser implementada se estes três clubes tiverem a noção de qual é a divisão de poder a nível cultural. Quando o Benfica vai jogar a Arouca, quem enche o estádio é o Benfica. Os clubes que estão na primeira liga – e na segunda com o Benfica B – ganham com isso. O Benfica tem de ganhar com a centralização e não pode ser prejudicado.
Qual é o modelo da centralização? É o espanhol? Parece-me o mais equilibrado. Porquê? Porque o Benfica não é tão prejudicado. Há uma questão relacionada com a massa adepta, com os Sócios, presença nas redes sociais, etc. Acho que esse é o modelo que a Liga Portugal quer tentar implementar. Perceber qual é o clube – e de que maneira é que isso se traduz económica e financeiramente – no futebol, ou seja, qual é a marca mais poderosa. Tudo me diz que é o Benfica.
Quanto é que temos de meter de dinheiro em todos os outros clubes? O que é que eles precisam? A questão aqui é mais complexa. Se aumentar os direitos televisivos do Arouca, eles vão pegar no dinheiro e fazer o quê? Vão formar jogadores? Melhorar as infraestruturas do estádio? Formar dirigentes? O dinheiro é para quê? É que em Espanha o dinheiro é canalizado para estas coisas que disse. Ninguém recebe 10 milhões de euros e faz o que quer. Não sou contra a centralização, mas deve respeitar a história e a realidade daquilo que são os clubes em Portugal, à cabeça, o Benfica.
“Se amanhã tivesse de entrar no Benfica, a SAD estaria completamente composta”
G. Já tem algum nome pensado para CFO do Clube? Como será a sua relação com o CFO?
JDM. Vou-lhe responder politicamente porque não posso avançar com nomes. Sabia que ia ser confrontado com este tema porque antecipando muito tempo uma candidatura, corro o risco de ser confrontado com essa pergunta, que é uma que as pessoas mais querem saber.
Esta é uma candidatura que tenho pensada ao longo de muitos anos. Não nasceu ontem e fui falando com pessoas ao longo do tempo. Se amanhã tivesse de entrar no Benfica, a SAD estaria completamente composta com nomes assegurados, todos Benfiquistas, todos trabalhadores na área. Tenho assegurado um projeto losango: um CFO, um diretor desportivo para a equipa A e B, um diretor geral para o Benfica Campus. Todos eles teriam uma ligação direta. Isto está fechado. Tenho o ok dessas pessoas, que conheço muito bem e há muitos anos. Acompanharam o meu percurso, alguns até são mais velhos do que eu. Conhecem-me, sabem o que quero fazer e eu sei o que quero deles. Isto na SAD.
No Clube, é diferente. Posso assegurar que tenho já nomes seguros contratualizados para me acompanhar. Quero, com o progresso desta candidatura, que mais pessoas venham ter connosco. Quero fazer algo que acho que nunca foi feito no Benfica ou noutros clubes: conhecer mais pessoas, saber as suas capacidades e conhecê-las profissionalmente e juntar, na parte do clube, aos cargos de dirigente pessoas que venham de fora, ou seja, não programar uma equipa para os três órgãos sociais, mas juntar alguns elementos de fora para dentro. Sócios que se queiram juntar, e que se entrosem bem, para lhes dar oportunidade de estar connosco na nossa direção. Sei que é difícil, mas é exatamente por causa disso que estou aqui um ano e um mês antes para lhes dar essa oportunidade e conhecer pessoas.
Entrevista exclusiva de João Diogo Manteigas ao Glorioso 1904:
- Parte 1: Exclusivo Glorioso 1904 - “Tenho a certeza que Noronha Lopes e Benitez vão-me apoiar”
- Parte 4: A publicar no próximo domingo (15 de setembro)
- Parte 5: A publicar no próximo domingo (15 de setembro)
- Parte 6: A publicar na próxima segunda-feira (16 de setembro)
- Parte 7: A publicar na próxima segunda-feira (16 de setembro)
- Parte 8: A publicar na próxima segunda-feira (16 de setembro)
Confira aqui as declarações de João Diogo Manteigas, em exclusivo, ao Glorioso 1904:
Futebolista que representou o Clube Vermelho e Branco perdeu a vida após um acidente de viação, ocorrido na noite do último sábado
12 Jul 2026 | 11:20 |
O antigo futebolista Manú morreu aos 43 anos, vítima de acidente de viação, na noite deste sábado, em Vermões, Sobral de Monte Agraço. A notícia foi avançada pelo portal Flashscore e confirmada pelo Alverca, clube onde se formou. O ex atleta passou pelo Benfica.
Emanuel Jesus Bonfim Evaristo nasceu a 28 de agosto de 1982 em Setúbal. Manú, como era mais conhecido, foi formado no Vitória Futebol Clube, Grupo Desportivo O Sindicato e Alverca. O extremo estreou-se na Liga ao serviço dos ribatejanos a 5 de maio de 2002, contra o Braga e disputou o primeiro de 130 jogos na prova. Manú representou os italianos do Modena e do Carpenedolo (2004/05) e o Estrela da Amadora (2005/06), antes de integrar o plantel do Benfica em 2006.
O antigo extremo rubricou 17 jogos pelas águias em 2006/07, antes de rumar ao AEK por empréstimo, na temporada seguinte. Manú representaria Marítimo, Légia de Varsóvia (Polónia), Beijing Guoan (China) e Ermis Aradippou (Chipre) antes de regressar ao Vitória de Setúbal em 2014.
14 jogos pelo clube da terra natal depois, Manú regressou ao Ermis Aradippou. O extremo terminou a carreira em 2018/19, após passagens por Cartaxo e Vilafranquense. O sadino chegou a jogar ao lado de Rui Costa, atual presidente dos encarnados.
O Benfica - que também perdeu Silvino este ano - reagiu à morte de Manú através de uma nota de pesar divulgada no site oficial. "O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Manú, antigo jogador do Clube. Manú representou o Benfica com dedicação e orgulho durante a temporada de 2006/07, onde completou 17 jogos. Neste momento de dor, o Sport Lisboa e Benfica endereça à família, aos amigos e a todos os que com ele privaram as mais sentidas condolências", escreveram as águias.
Veja a publicação do Clube:
Artista foi detido pela PSP na sequência da operação KickOff devido a incidentes ocorridos após uma partida entre as águias e o Sporting
10 Jul 2026 | 17:37 |
Kiari Flores, um dos autores do novo hino do Benfica apresentado em abril na Benfica FM, foi detido pela PSP no âmbito da operação 'KickOff', que investiga os incidentes ocorridos a 19 de fevereiro nas imediações do Pavilhão João Rocha, antes do dérbi de futsal entre Sporting e Benfica.
O jovem cantor, que compôs o tema em conjunto com o pai, o músico Paulo Flores, integra o grupo de 10 membros dos No Name Boys detidos esta semana pelas autoridades. Os suspeitos já tinham sido identificados e detidos na sequência dos confrontos registados em fevereiro, mas acabaram libertados pelo tribunal no dia seguinte.
Segundo explicou o comissário Tiago Costa, da PSP de Lisboa, a operação pretende assinalar o arranque da nova temporada desportiva com uma mensagem de tolerância zero para a violência: "A operação KickOff serve para dar o pontapé de saída da nova época desportiva, com uma mensagem clara: a violência não tem lugar nos nossos recintos desportivos."
O responsável revelou ainda que a investigação permitiu recolher novos indícios relativamente à atuação de dez dos suspeitos inicialmente detidos: "Na sequência da investigação, apercebemo-nos de que dez desses adeptos tinham cometido condutas muito mais gravosas do que aquelas que tínhamos pensado. Estamos a falar de uma tentativa de homicídio, pontapés na cabeça de uma vítima que estava indefesa no chão, agressões com barras de ferro, tochas deflagradas junto ao corpo desta vítima.”
Os 10 arguidos agora detidos já estavam referenciados pelas autoridades por alegado envolvimento noutros episódios de violência entre claques. Apesar disso, não possuem qualquer condenação transitada em julgado. Os incidentes ocorreram nas imediações do Pavilhão João Rocha, quando dezenas de adeptos do Benfica terão lançado tochas e outro material pirotécnico na direção da zona conhecida como "Casinha", sede da claque Juventude Leonina. No final da operação policial, foram detidas 125 pessoas: 64 adeptos do Benfica e 61 do Sporting.
Projeto causa divisão e associados querem anulação da AG que votou a aprovação, já que consideram que Estatuto do Clube foi violado pela Mesa
04 Jul 2026 | 13:32 |
Seis sócios do Benfica avançaram com uma ação judicial para pedir a anulação da deliberação aprovada na Assembleia Geral Extraordinária de 3 de janeiro de 2026, reunião em que os associados deram luz verde ao projeto Benfica District.
Os juristas Gonçalo Almeida Ribeiro, João Ferreira Leite, Pedro Cardigos, Cristina Santos Silva, João Marecos e Márcia Vala contestam a atuação da Mesa da Assembleia Geral (MAG), presidida por José Pereira da Costa, considerando que foram violadas as regras de funcionamento previstas nos Estatutos do clube.
Em comunicado, os autores da ação explicam os fundamentos da iniciativa: "Seis juristas e sócios do Sport Lisboa e Benfica intentaram ação judicial para anular a deliberação da Assembleia Geral Extraordinária de 3 de janeiro de 2026, por violação das regras de funcionamento da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, consagradas nos Estatutos, pela qual é responsável a MAG."
A Assembleia Geral em questão foi dedicada à aprovação do projeto Benfica District, que recolheu 59,24% dos votos favoráveis dos sócios. Recorde-se que Gonçalo Almeida Ribeiro e João Ferreira Leite foram candidatos à presidência da Mesa da Assembleia Geral nas últimas eleições do Benfica, integrando, respetivamente, as listas de Noronha Lopes e do Movimento Servir o Benfica.
Segundo os autores da ação, três semanas antes da reunião magna foi enviada uma carta ao presidente da MAG com 12 perguntas relacionadas com a legalidade do modelo de participação e de votação previsto para a Assembleia. De acordo com o comunicado, esses pedidos de esclarecimento nunca obtiveram resposta. Os seis sócios criticam ainda a utilização de urnas eletrónicas e de uma aplicação móvel para votação, alegando que o sistema não oferecia garantias suficientes quanto à fiabilidade e ao controlo do exercício do direito de voto.