Desfez-se Luz… cortesia de umas grandessíssimas pessoas brutas e/ou pouco inteligentes
Erros graves de arbitragem no último jogo prejudicaram Benfica; Sugeridas medidas institucionais para reagir à polémica em Famalicão
06 Mai 2026 | 09:54
Erros graves de arbitragem no último jogo prejudicaram Benfica; Sugeridas medidas institucionais para reagir à polémica em Famalicão
O que aconteceu em Famalicão, no passado sábado, expôs um sistema podre e bafiento. Como expressou José Mourinho, este jogo diz muito (eu diria, tudo) do que foi o campeonato esta época. Não foi apenas um conjunto de decisões discutíveis, foi uma sequência coerente de erros graves, todos a pender para o mesmo lado, todos com impacto direto no resultado, todos difíceis de enquadrar no domínio do acaso.
Comecemos pelos factos, porque são eles que sustentam qualquer análise séria.
O penálti sobre Ivanovic foi bem assinalado, e convém dizê-lo, para não se cair na tentação de pintar tudo da mesma cor. Mas a partir daí, abriu-se uma galeria de decisões que desafiam não apenas o critério, mas o próprio bom senso.
A entrada dura de Rodrigo Pinheiro sobre Schjelderup passou impune disciplinarmente. Minutos depois, o mesmo jogador protagoniza um lance ainda mais claro: braço fora da posição natural e mão na bola após remate do mesmo Schjelderup dentro da área. Penálti evidente. Segundo amarelo inequívoco. Expulsão lógica. Nada foi assinalado. O jogo seguiu. E com ele, a narrativa.
Depois, o momento mais mediático: a expulsão de Otamendi. Sim, há contacto. Sim, a perna está esticada. Mas não, a zona de impacto não é alta. E não, a intensidade não configura força excessiva. É um lance de interpretação, e é precisamente aqui que o VAR deveria entrar como elemento de correção, não de amplificação do erro. Rui Oliveira, no papel de VAR, não só validou como reforçou uma decisão altamente discutível. Se existisse uma versão futebolística dos Golden Raspberry Awards, a nomeação seria automática.
O jogo prosseguiu com um padrão já familiar. O primeiro golo do Famalicão nasce de um ressalto fortuito em Dedic, traindo Trubin, que se preparava para recolher o remate sem grandes dificuldades. O segundo surge de um canto mal assinalado, seguido de uma validação de inexistência de fora-de-jogo baseada numa imagem de câmara de vigilância. Isto (que já se tinha visto a época passada), embora previsto no protocolo, levanta sérias dúvidas quanto à sua fiabilidade prática. Legal? Sim. Credível? Nem por isso.
Já a terminar o jogo, um cartão amarelo a Ríos que ninguém consegue explicar, mas que terá consequências reais, ao afastá-lo do jogo seguinte (juntando-se a Otamendi). E, como cereja no topo de um bolo já indigesto, um tempo de compensação que ultrapassou todos os limites do razoável: 15 minutos (na prática, 16), quando as interrupções da segunda parte justificariam, no máximo, cerca de 10. Faltou pouco para se avançar diretamente para grandes penalidades, tal era a insistência em prolongar um jogo que terminou empatado.
Tudo isto aconteceu sob arbitragem de Gustavo Correia. Homem do jogo? Dificilmente se encontrará argumento em contrário e, não por acaso, o Schjelderup e o Benfica lhe entregaram esse prémio, que é conferido pela televisão que transmitiu o jogo, neste caso, a SportTV. O efeito foi meramente simbólico (sem deixar de ser revelador), mas eu não posso deixar de dar os parabéns a quem teve essa iniciativa.
Mas há mais. Porque o futebol português não vive apenas de decisões dentro de campo, vive, também, de contexto, de memória e de padrões.
Recorde-se o episódio da primeira volta, quando o presidente do Famalicão, Miguel Ribeiro, vislumbrou uma réplica do “anticiclone dos Açores” na Luz. Desta vez, em Famalicão, o sol brilhava e não havia vento… mas curiosamente, na sala de imprensa, só entravam treinadores. Rui Costa ficou à porta. Coerência? Nem por isso. Ironia? Em abundância.
E no meio de tudo isto, houve ainda espaço para um momento de honestidade involuntária. Hugo Oliveira, na flash interview, deixou escapar: “depois de estar a perder 3-0 contra uma grande equipa que é o Benfica…”. Há quem diga que não foi isso que disse. Mas há quem tenha ouvido e, mais importante, tenha percebido.
Perante este cenário, a questão (que recupero do início desta crónica, proferida por Mourinho) impõe-se: o que diz este jogo sobre o campeonato?
Diz que há um padrão. Diz que esse padrão se tem acentuado, sobretudo desde o momento em que o Benfica decidiu afastar-se da negociação centralizada dos direitos televisivos, por constatar - ao contrário do que foi publicamente “vendido” - que sairia prejudicado financeiramente. Coincidência ou não, a sucessão de decisões desfavoráveis ao Benfica e favoráveis aos seus rivais aumentou de forma… consistente.
Diz também que a luta pelo segundo lugar - curiosamente avaliada em cerca de 50 milhões de euros - está a ser disputada não apenas dentro das quatro linhas. E que, apesar de o Benfica depender de si próprio, há forças externas que parecem empenhadas em “equilibrar” essa equação.
Não surpreende, por isso, a leitura de José Mourinho, ao admitir que será preciso um “milagre” para manter a vantagem. Um milagre… (bem que eu gostava que fosse, apenas, normalidade).
No meio deste enredo, há uma conclusão inevitável: se há prémios individuais e coletivos no futebol português, talvez esteja na altura de considerar uma nova categoria. Tal como Gustavo Correia foi, de forma mordaz, o homem do jogo em Famalicão, também o Conselho de Arbitragem da FPF poderia, com justiça irónica, ser distinguido como “entidade do ano” da Primeira Liga.
Porque quando o impacto é tão transversal, tão consistente e tão decisivo, já não se trata de erro… trata-se de influência.
E agora, o que pode fazer o Benfica?
A indignação é legítima. Mas mais importante do que sentir é agir. Agir com inteligência, dentro da legalidade e sem comprometer a competitividade.
Hipóteses possíveis:
1. Exposição institucional documentada
O Benfica pode - e deve - compilar um dossiê técnico detalhado, com todos os lances polémicos, enquadramento regulamentar e análise independente. Não para consumo mediático imediato, mas para entrega formal à Federação Portuguesa de Futebol e às instâncias internacionais, como a UEFA. Pressão institucional, sustentada e contínua.
2. Comunicação pública estratégica
Sem cair no ruído, o clube pode adotar uma linha de comunicação firme, consistente e pedagógica, explicando os lances com recurso a especialistas e imagens claras. Não se trata de gritar mais alto, trata-se de ser mais convincente.
3. Pedido formal de esclarecimentos e auditoria
Requerer explicações oficiais sobre decisões específicas (não tem adiantado de muito… das consequências da denúncia das atrocidades verificadas na final da Taça de Portugal da época passada nada se sabe e, em relação às últimas expressões de indignação, o resultado foi o pedido de procedimento disciplinar junto do Conselho de Disciplina da FPF por parte da APAF) e, se possível, promover uma auditoria independente ao uso do VAR em jogos desta importância e que se assumem decisivos, como foi o caso deste. Transparência não é opcional, é exigível.
4. Ações simbólicas controladas
Sem prejudicar a equipa, o Benfica pode ponderar ações simbólicas de protesto: conferências de imprensa com tempo limitado, ausência de declarações pós-jogo em momentos específicos, iniciativas coordenadas com adeptos, impedir a presença dos responsáveis da tutela (FPF, Liga, CA, CD…) no camarote presidencial da Luz. O objetivo não é o confronto direto, mas a visibilidade do descontentamento.
5. Mobilização da base adepta com responsabilidade
Canalizar a indignação dos adeptos para formas construtivas: apoio massivo à equipa, campanhas de sensibilização e pressão pública legítima. O ruído pode ser útil, desde que não se transforme em autossabotagem, nem sirva para gritar para dentro.
O que podemos (pré)concluir? Que há uma linha ténue entre erro e padrão. E quando essa linha é ultrapassada repetidamente, o silêncio deixa de ser opção.
O Benfica ainda depende de si. Mas, olhando para o que se passou em Famalicão, fica a sensação de que há quem prefira que não dependa.
E isso, mais do que preocupante, é revelador.
Já nem disfarçam.
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É preciso ter lata
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APONTAMENTO – Vermelho e Branco: A JUSTIÇA DOS PODEROSOS!
Um paralelismo entre atual justiça portuguesa, que demora anos para colocar um ponto final em determinados processos e gestão ruinosa da Direção das águias
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