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Há oportunidades que só surgem em janeiro e são comboios que só passam uma vez, seja qual for a janela de mercado
Para toda a regra existe exceção. Esta expressão, além de me parecer lógica e difícil de contrariar, ajuda a contestar algumas ideias feitas como aquela que aparece todos os anos em janeiro e que nos diz que os “reforços” de inverno quase nunca funcionam.
Eventualmente existe alguma estatística que suporta esta ideia (duvido!). Se virmos a lista dos “reforços” de inverno do Benfica nos últimos 30 anos até podemos ser impelidos a concordar. “Craques” como Luís Carlos, Gary Charles, Steve Harkness, Bossio, Delibasic, Marco Ferreira ou Sepsi ajudam a reforçar este sentimento.
Mas, como em tudo, é importante contextualizar. Até pode ser verdade que a maior parte destas contratações não tenha vingado. Mas e as de verão, foram melhores? Em percentagem de utilização quais foram as mais bem-sucedidas?
Não tenho estes números, mas todos nos lembramos de incontáveis “reforços” que nem o manto sagrado vestiram (mesmo descontando os que serviram para outros propósitos). Nem é preciso listar meia dúzia.
Já jogadores como Poborsky, Amaral, Grimaldo ou Lucas Veríssimo, chegaram ao Benfica em janeiro e foram, indiscutivelmente, reforços, sem aspas. Para mim não são exceções, porque também não acredito na regra. Porquê? Porque não há uma distinção de “reforços” de inverno ou de verão. O que há é bons e maus “reforços”.
Há os que são contratados com critério, dentro de um plano e estratégia definida e depois de devidamente analisados pelos diversos atores que identificam e decidem uma contratação, e depois há os que são contratados “em cima do joelho”, sob a pressão de maus resultados, influência de empresários ou com outro objetivo que não seja o de acrescentar valor ao nosso plantel.
Dos que passam pelo primeiro processo, alguns podem não resultar. São muitas as variáveis que vão condicionar o seu sucesso. Faz parte do negócio. Mas uma coisa é certa: a probabilidade de serem melhores do que os que aparecem pelo segundo processo são indiscutivelmente maiores e consequentemente mais virtuosas para o Benfica.
Os sinais dados neste mercado de inverno são muito positivos. No papel, todos os jogadores que até hoje foram apresentados fazem sentido e vêm suprir lacunas que a primeira metade da época evidenciou e parecem ser boas apostas de curto ou médio prazo.
Roger Schmidt vai ter mais qualidade e por isso mais dúvidas para montar o onze. Dores de cabeça, mas das boas!
P.S.: Outra ideia feita errada: as contratações de inverno só devem ser feitas se forem para “entrar de caras no onze”. Isto está errado porque há oportunidades que só surgem em janeiro e são comboios que só passam uma vez, seja qual for a janela de mercado. Se não os agarrarmos neste momento, outros o farão.
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