Bernardo Alegra
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04 Out 2023 | 15:08

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Bernardo Alegra

Não se pode dizer que os sinais não estivessem todos lá, porque estavam. E também não podemos dizer que são de hoje, porque não são

Escrevo ainda a quente, sem ter digerido devidamente a derrota de hoje em San Siro.


Mas o jogo de terça-feira não me deixou com azia. Pior, fiquei com um enorme desconforto e desconfiança do caminho que estamos a trilhar este ano.

Na primeira parte ainda fui enganado pela surpresa e adaptação que o próprio Inter teve com o onze que Schmidt levou a jogo. Mas os primeiros 25 minutos da 2ª parte foram seguramente os piores que vi desde que Roger assumiu o Benfica. Não saímos dali com um saco de bolas dentro da baliza, porque não calhou.


Não se pode dizer que os sinais não estivessem todos lá, porque estavam. E também não podemos dizer que são de hoje, porque não são.

Já desde a perda de Enzo, um jogador nuclear do Benfica, que a equipa nunca mais demostrou a segurança e confiança que tinha naquele período até Dezembro de 2022.


Seguiu-se a perda de Grimaldo e Ramos, dois jogadores de que as bancadas muito desconfiavam, mas absolutamente decisivos na boa época que o Benfica fez em 2022/3.

Entretanto gastámos 34 milhões em 2 jogadores que, ou não têm qualidade para os substituir, ou ainda não estão preparados para o fazer. Não sei qual destas é a resposta certa, mas evidente é que Schmidt ainda não o conseguiu fazer.

O que vimos hoje, em especial na 2ª parte, foi uma equipa sem qualquer capacidade de saída de bola, que repetidamente a entregava a João Neves e este não tinha a quem a entregar.

E não tinha porque:

- Rafa, Neres e sobretudo Di María não conseguem fazer a pressão alta de forma eficaz, nem fazem o necessário acompanhamento das quebras de linha conseguidas pelo adversário, o que deixa a nossa equipa a defender com sete em vez de dez e cada vez mais perto da área;

- Faltava-nos um nove que prendesse a defesa a três do adversário, permitisse esticar o jogo ou simplesmente deixar a equipa subir e respirar. Já tinha acontecido o mesmo na Supertaça, com os resultados que se conhecem;

- Sem Grimaldo e sem António não temos ninguém atrás que seja capaz de iniciar a saída de bola quebras de linhas, através de passes ou de progressão com bola, ou à procura de espaços atrás da defesa adversária com passes para o espaço que um dos nossos atacantes poderia tentar aproveitar (Neves ainda não tem essa capacidade);

- Porque perdemos fulgor físico e capacidade de lutar e ganhar segundas bolas.

Daqui resultaram uma série de erros individuais e oportunidades sucessivas, mais que suficientes para sairmos de Milão com uma goleada histórica, que só não aconteceu porque tivemos sorte, os atacantes nerazurri não estavam particularmente inspirados, ao contrário de Trubin que começa a justificar o investimento feito. Esta é aliás a única boa notícia do jogo de hoje. O ucraniano fez uma excelente exibição que nos livrou de uma humilhação merecida.

Outra coisa que deixámos de ver, em especial este ano, foi a dinâmica atacante com envolvimento de médios, atacante e um ou até mesmo os dois laterais. É certo que as lesões da Bah, Jurásek e Bernat não ajudaram, mas será só isso? Temos conseguido disfarçar as fraquezas com o brilhantismo individual de Rafa, Neres ou Di Maria, mas as grandes equipas, como em alguns momentos fomos a época passada, precisam de muito mais coletivo a potenciar o individual e não o contrário.

Acresce que a forma como Schmidt continua a gerir o jogo a partir do banco também não nos deixa nada tranquilos, até porque, ao contrário do que aconteceu em alguns momentos o ano passado, ele olha para o lado e tem quem colocar em campo e mudar o jogo.

Infelizmente duvido que tenha aprendido alguma coisa com o que vimos hoje e, pelo menos a mim, reforçou duvidas que se adensam com o tempo, em que a maior é só esta: terá Schmidt capacidade de voltar a construir uma grande equipa de futebol?

 

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