Nuno Campilho
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04 Fev 2026 | 16:02

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Nuno Campilho

Empate diante do Tondela continua a criar repercussões no universo encarnado, que clama por outra exigência depois de um resultado histórico na Europa


O empate do Benfica em Tondela não é apenas um tropeção. É um choque frontal com aquilo que se exige a um clube que quer ser campeão, ainda para mais na situação de défice pontual em que se encontra. Depois do jogo de excelência frente ao Real Madrid, a contar para a Liga dos Campeões – que garantiu o apuramento para o playoff de acesso aos oitavos de final – esperava-se continuidade competitiva, intensidade máxima e, acima de tudo, eficácia. Em vez disso, tivemos um empate incompreensível, frustrante e, para mim enquanto adepto do Benfica, absolutamente inaceitável.


Empatar em Tondela, frente a uma equipa que luta pela manutenção, nos últimos lugares da classificação, num jogo de domínio absoluto, com posse esmagadora, dezenas de aproximações à área e oportunidades claras de golo, não pode ser normalizado. O problema não foi criar – foi concretizar. E essa incapacidade gritante de fazer “um golo que seja” é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.


A frustração tornou-se ainda maior quando o FC Porto, líder da classificação e com uma vantagem de 10 pontos sobre o Benfica, perdeu com o Casa Pia. Estava ali uma oportunidade de ouro para recuperar três pontos. O Benfica tinha o destino momentaneamente nas próprias mãos. E o que fez? Recuperou apenas um. Um mísero ponto, quando o contexto pedia ambição máxima.

Sim, houve fatores externos que merecem referência. O estado deplorável do relvado prejudicou claramente o ritmo de jogo e melhores condições de definição e finalização, sobretudo dentro da área, que mais parecia um campo acabado de lavrar. A dureza excessiva dos jogadores do Tondela passou demasiadas vezes impune. E a arbitragem de Luís Godinho foi, no mínimo, condescendente. Cinco minutos de compensação num jogo marcado por múltiplas interrupções, assistências médicas e antijogo é manifestamente curto – sobretudo quando o próprio histórico do árbitro e a média da Liga apontam para valores bastante superiores. Ainda assim, nada disto serve de álibi. Um candidato ao título – e a ter de correr contra o prejuízo praticamente desde o início da época – tem de saber ganhar também nestes contextos.

No meio deste cenário, há um ponto positivo que merece destaque: o mercado de inverno. O Benfica fez apenas duas contratações – e isso é bom. Muito bom. Ao contrário de outros clubes, não entrou em loucuras financeiras, gastando sensivelmente metade do que, por exemplo, gastou o FC Porto. Usou a janela como ela deve ser usada: para pequenos ajustes, não para revoluções.

Além disso, houve “reforços internos” importantes. A recuperação de jogadores que vinham sendo titulares, como Rios e Barrenechea, devolve profundidade ao meio-campo. O regresso de atletas após longas paragens – Manu, Bruma e Lukebakio – aumenta as opções ofensivas e competitivas. E a aposta continuada na formação, com Banjaqui e Anísio a assumirem maior destaque, confirma que o clube não abdica da sua identidade: formar, integrar e valorizar talento próprio.

O balanço da época, neste momento, é agridoce. O Benfica tem exibido bom futebol em vários momentos, demonstrou personalidade na Europa e continua vivo em todas as frentes relevantes (após a inenarrável final four da Taça da Liga e o triste adeus à final da Taça de Portugal). Falta, no entanto, dar o salto mental que separa as boas equipas das equipas campeãs: matar jogos, ser clínico, não desperdiçar contextos favoráveis.

Ainda acredito – sim, talvez com algum otimismo a mais – que o título não está matematicamente fora de alcance. Mas sendo realista, o segundo lugar continua perfeitamente ao alcance e é o mínimo exigível. Na Liga dos Campeões, o desafio volta a ser máximo: novo embate com o Real Madrid no playoff. Será mais uma prova de fogo à maturidade desta equipa.

Por fim, uma nota para os eternos “bota-abaixo”. Aqueles que vivem à espera de um deslize para disparar críticas, insultos e ataques pessoais. Apontam o dedo à direção, e agora também ao treinador, como se a instabilidade fosse solução. Criticar faz parte do futebol. Destruir por prazer é outra coisa. E é simplesmente ridículo fazê-lo quando o treinador é José Mourinho, alguém que não precisa de apresentações nem de lições sobre competitividade.

O Benfica precisa de exigência, sim. Mas também de lucidez, união e sentido de responsabilidade coletiva. Porque empatar em Tondela dói. Muito. Mas desistir do Benfica dói ainda mais.

E isso, enquanto houver jogos para disputar e objetivos por cumprir, não é opção.

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Nuno Campilho
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