Bernardo Alegra
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20 Out 2023 | 09:54

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Bernardo Alegra

Como quase sempre, estará na capacidade do treinador se adaptar aos atletas que tem à disposição, o segredo do sucesso ou insucesso do Benfica

Estes períodos de paragem da Liga, que tanto frustram os benfiquistas, são propícios a fazermos uma reflexão sobre o que vimos até agora.


Confesso alguma inquietação que se traduz numa série de dúvidas que vão desde o trabalho que este ano fizemos no mercado (de verão, mas também de inverno passado), à capacidade da equipa técnica lidar com as novas variáveis apresentadas pelo plantel e, naturalmente, ao rendimento dos jogadores.

Deixo aqui um resumo das que mais me inquietam:

  • Baliza: Ody faz parte da história. Não era propriamente bem-amado pelas bancadas pelo que a sua substituição por Trubin foi vista com algum entusiasmo. No entanto os primeiros jogos do internacional ucraniano se nos mostraram todo o seu potencial, também desvendaram  alguns erros que não são esperados num guarda-redes do Benfica, pelo menos desde que o Roberto se foi embora;
  •  Lateral Direita: O Bah é bom rapaz. É difícil antipatizar com ele. Mas o Benfica não é para bons rapazes, é para jogadores de elite e o Bah não é desses jogadores e pelas lacunas, sobretudo técnicas, que apresenta, tenho dúvidas que alguma vez venha a ser. Dito isto, gostava de não queimar o Aursnes nessa posição pelo que provavelmente será a opção menos má;
  • Lateral esquerda: Bernat ou Jurásek oferecem coisas diferentes à equipa. Na presente fase diria que a experiência e segurança do espanhol é mais importante que a vertigem do Checo, até porque para isso já temos Bah do outro lado;
  • Seis e Oito: Kokçu é o oito indiscutível. Não me parece que esteja 100% adaptado à equipa, mas em termos de passe, intensidade e gestão do jogo, percebe-se que pode oferecer muito, quando estiver no seu melhor. Já o seis, parece estar destinado ao Neves e eu genericamente concordo com a opção, ainda que se note, sobretudo nas segundas partes, que com o desgaste de Kokçu e do próprio Neves, estes não são suficientes para segurar a aproximação dos adversários à nossa área, como se viu por exemplo com o Estoril e Portimonense.A solução pode passar não só pela maior rotação com Florentino, como pela utilização de Aursnes e João Mário em simultâneo para ter maior controlo de bola e pressão sobre o adversário. Já Chiquinho, para mim, não devia ser opção (a não ser em jogos “ganhos” que permitam descansar os titulares). Não está ao nível dos restantes;
  • Ataque: É aqui que residem as maiores duvidas. Na Ala direita, Di Maria é um génio que tem de jogar, não por imposição, mas porque, simplesmente, faz coisas que mais ninguém faz. No entanto o seu desgaste físico é um dos principais fatores da nossa quebra defensiva, pelo que devia ou ter maior rotação ou ter maior proteção do resto da equipa. Rafa está a fazer um excelente arranque de temporada e, para já, não é discutível. Sobram as posições de Ponta de Lança e Médio/Ala esquerdo e é aqui que se complica tudo. Na primeira, para já, Musa é o que oferece mais golo mas parece funcionar melhor quando sai do banco. Cabral, até ver, é um falhanço épico. Pensar que custou praticamente o mesmo que Gyokeres é doloroso e indicia que ou há muita incompetência de um lado ou muita competência do outro. Provavelmente as duas. Ainda para essa posição temos Tengstedt, outro Chiquinho, e aposto que Guedes fará o lugar em alguns jogos (o que eu discordo porque deixa a equipa muitas vezes a jogar em bloco baixo sem opções de saída para um jogador a jogar de costas para a defesa adversária). Na ala esquerda podem jogar João Mário, Aursnes e Guedes. Sabendo que o Norueguês é cativo no onze de Schmidt, é de supor que jogará aqui sempre que não for lateral. Ficam a sobrar os dois portugueses que têm qualidade a mais para os dez ou vinte minutos por jogo que Schmidt lhe reserva.
  • Schmidt: é no alemão que residem as minhas maiores dúvidas. Nunca é fácil gerir um plantel com abundância de qualidade (e de salário) como o Benfica tem para algumas posições, mas o problema é que Schmidt parece ser particularmente inábil a gerir, não só tempo de jogo dos seus atletas como, sobretudo, a ler e perceber as dificuldades que cada adversário e cada momento do jogo nos oferecem. Esta inabilidade já tinha ficado a descoberto no final da época passada, mas é por demais evidente esta época.
Como quase sempre, estará na capacidade do treinador se adaptar aos atletas que tem à disposição, o segredo do sucesso ou insucesso do Benfica.


Aguardemos com alguma ansiedade e natural inquietação a resposta do Alemão.

 


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