Podíamos ser tudo o que não somos
Aceitar dura realidade que temporada ja chegou ao fim, reforçando ideia e necessidade de haver mudanças estruturais em várias frentes
30 Mar 2026 | 03:00
Aceitar dura realidade que temporada ja chegou ao fim, reforçando ideia e necessidade de haver mudanças estruturais em várias frentes
Sobre esta época já não há muito a dizer: terminou com o empate a dois frente ao Porto, num jogo que, mais uma vez, foi uma consequência e não um acaso. Sobrou aquilo que se adivinhava: voltámos a falhar.
Quando o melhor que se consegue vislumbrar é uma Supertaça e o risco real de ficar fora da Liga dos Campeões, não estamos a falar de um desvio pontual. Estamos a falar de um padrão.
E o mais desconfortável não é o que somos. É tudo aquilo que podíamos ser. Olhamos para fora e vemos exemplos que, a toda a volta, expõem as nossas falhas.
Vemos um Bodø/Glimt, com um dos orçamentos mais baixos das competições europeias, a chegar a fases avançadas da Europa apoiado numa ideia clara: formação, mercado interno, identidade. Não é um acaso. É um plano.
Olhamos para rivais diretos e percebemos que é possível não vender por necessidade, segurar os melhores jogadores, sabendo que a continuidade é uma forma de ambição. E os resultados aparecem, não por milagre, mas por coerência.
Ou os que constroem plantéis em função de um modelo de jogo e têm a disciplina, e a coragem, de o manter ao longo da época. Enquanto por cá, despedimos treinadores à quinta jornada, como se mudar o homem resolvesse aquilo que está profundamente enraizado na forma como no clube se pensa.
E depois há o exemplo maior. O Bayern Munich. Não dominam apenas porque são mais ricos ou maiores. Dominam porque não se distraem. Porque não perdem tempo com o acessório. Porque nunca esquecem o essencial: ganhar. Não para dirigentes, não para ciclos, não para narrativas, mas para quem verdadeiramente sustenta o clube: sócios e adeptos.
É aqui que a comparação dói mais.
O Sport Lisboa e Benfica tem escala, história, base social, recursos e talento para estar mais próximo destes exemplos do que alguma vez esteve. E, no entanto, insiste em afastar-se. Não por falta de capacidade, mas por falta de foco. Por decisões erráticas, por ausência de uma linha contínua, por uma gestão que tantas vezes parece reagir ao momento em vez de o antecipar.
Não se trata de exigir vitórias todos os anos. Isso seria negar a própria natureza do jogo. Trata-se de exigir algo mais básico e, ao mesmo tempo, mais difícil: consistência, clareza, compromisso com uma ideia.
Porque quando tudo falha, e esta época é mais um exemplo disso, sobra sempre a pergunta inevitável: como é que um clube com tudo para dominar se limita ao medíocre?
Podíamos ser um clube que potencia a formação com critério.
Podíamos ser um clube que segura talento quando é preciso ganhar.
Podíamos ser um clube que escolhe um caminho e o segue até ao fim.
Podíamos ser um clube que entra em campo com a única obsessão que interessa.
Podíamos ser tudo.
Mas não somos.
E enquanto não quisermos, verdadeiramente, ser, vamos continuar a ver os outros conquistar aquilo que devia ser nosso.
Viva o Benfica!
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