Bernardo Alegra
Biografiado Autor

29 Jul 2026 | 09:34

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Bernardo Alegra

Entre o déjà vu e a desesperança, Clube da Luz está a repetir erros de outras épocas e declínio encarnado parece longe de terminar


Olho para os dias de hoje e não consigo evitar uma sensação de déjà vu.


Como é que se justifica que o clube com mais adeptos, mais receita operacional — cerca de 40% acima do Sporting —, maior encaixe nas competições europeias e recorde de vendas continue sem conseguir antecipar saídas, equilibrar o plantel e, tantas vezes, falhe alvos que acabam por ser apresentados do outro lado da segunda circular? Muitos, como eu, têm bem presente o tempo em que passávamos semanas, se não meses, a negociar um alvo para depois o vermos vestido de azul e branco a festejar títulos naquele que devia ser o nosso forte. James Rodríguez, Falcao, Alex Sandro, Danilo... foram tantos, e tão frequentes, que o Porto quase nem precisava de scouting. Hoje, por enquanto, vestem verde e chamam-se Pote, Trincão, Doumbia ou Ba. E o que fizemos nós, quando estivemos por pouco tempo na mó de cima? Não entrámos em leilões com os rivais.


Já nos corredores do poder do deprimente futebol português — e a verdade é que esta doença é supranacional, como tão bem o inenarrável Infantino nos vai recordando — sucedem-se os exemplos de desrespeito pelo Benfica. Sejam dirigentes, federativos ou de clubes, árbitros ou restantes agentes, todos parecem divertir-se a mostrar-nos quão fácil é desrespeitar o nosso emblema, enquanto na Luz se sucedem notas de imprensa indignadas, e sucessivamente gozada, que pouco mais servem do que para expor a incapacidade do clube para gerir estes processos. Nunca visto? Só para quem nunca passou pelo Vietname, com a agravante de que, agora, em vez de um, temos dois adversários claramente mais preparados do que nós.

E depois, cereja no topo do bolo — mas consequência inevitável deste estado de coisas — somos obrigados a disputar três pré-eliminatórias de uma competição onde não queríamos estar, contra equipas que também já perceberam que as famosas camisolas de águia ao peito já não ganham jogos antes de se entrar em campo. Não é preciso recuar muito para lembrar embates com os poderosos Basileia, Metalist ou PAOK. Para não falar de Olympiacos ou daqueles azuis celestes da Galiza, cujo nome não escreverei. E, para completar o déjà vu, só falta começar a liga, alimentando a ilusão de que tudo isto se resolve e de que ainda somos capazes de recuperar o título que já nos foge há três anos, até que, depois de dois ou três empates com equipas muito abaixo da nossa liga, ou de uma qualquer humilhação perante um dos nossos principais rivais, percebemos que já vimos este filme — e que não vamos ver taça nenhuma.

Eu sei: voltei aos meus textos deprimentes. Mas os dias passam e o sol continua sem brilhar por estes lados da segunda circular. E isso nem é o pior. O pior é a desesperança de não ver, nos próximos anos, um caminho diferente deste declínio. E saber que, não poucas vezes, atrás disto podem vir coisas ainda piores. O que também seria um déjà vu.

Oxalá o Marco Silva nos devolva alguma esperança. Vou-me agarrar a isso.

Viva o Benfica!

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Regresso ao passado

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