Nuno Campilho
Biografiado Autor

01 Mar 2023 | 12:52

Icon Comentário 0
Nuno Campilho

O Benfica é algo que me euforiza quando ganha e me deprime quando perde. É um sentimento de ansiedade na insónia da espera e na noite em claro da derrota


Não é fácil escrever sobre o Benfica. Fácil foi intuir que, ontem, dia em que passam 119 anos desde que um grupo de atletas decidiu, na Farmácia Franco, fundar um Clube, naquele que se haveria de tornar o Sport Lisboa e Benfica, teria de escrever sobre o Benfica.


E embora escrever sobre o Benfica pareça fácil para quem é do Benfica, vive o Benfica, acompanha o Benfica, discute o Benfica, opina sobre o Benfica e senta o couro na Luz e por vários outros estádios espalhados por Portugal e alguns no estrangeiro, atrás do Benfica, creiam, é bem mais difícil do que parece.


Estou demasiado envolvido emocionalmente, para poder falar sobre algo que é superlativo. É assim como que uma coisa do outro mundo, porque, efetivamente, o Benfica é do outro mundo, não sendo, propriamente, uma coisa, que fique claro.

Então, vá, como é que eu hei-de construir isto?

O que é o Benfica para mim?

Bem... o Benfica é algo que me euforiza quando ganha e me deprime quando perde. É um sentimento de ansiedade na insónia da espera e na noite em claro da derrota. É eu e os meus anjinhos, no acumular de vitórias, conquistas, títulos, alegrias, entusiasmos e glória... e também é o fardo pesado do insucesso, o mau-humor da derrota e a irritação da perda.

É como amar um filho adolescente... querer ser o “ele” nas ações, o previdente nos conselhos, querer estar sempre presente e abraçar a felicidade incalculável do alcance de um objetivo, da superação de um desafio, do ultrapassar de uma dificuldade e da conquista de um feito. Por outro lado, também é ralhar, desesperar, chorar, apetecer bater e esperar, esperar, esperar, como se o regresso de uma noite de diversão, fosse a porta que se abre para o almejo de um título.

São olhos embevecidos de um envergonhado lacrimejar pelo golo no último minuto e a euforia que nos leva a abraçar desconhecidos e a ser confortado por estranhos. Mas é, também, a perda das estribeiras perante a critica fácil, ou o insulto gratuito; o gozo fanático e desprovido de respeito, gritado pela imoralidade de quem não sabe o que é o Benfica. Porque o Benfica também é isso, o Benfica também é a dúvida, a incerteza, o falhanço, a sombra e o desconhecido. O que o Benfica nunca será, é o escárnio, o ódio, a pressão, a violência e a impunidade de gente abjeta, indigente, insolente e mal-amada. Isso o Benfica não é para mim. Que ninguém duvide que o amor que eu e tanto milhões sentem pelo Benfica, é devida e atempadamente correspondido. E não é preciso “pagar”...

No sentido da vida de cada um, vemos o sentir da vida de todos os outros que escolhemos para viver e caminhar connosco. A seleção natural das espécies, também se faz a este nível transcendental que vai para além do ser de um clube. Até porque, quando se trata de ser do Benfica, não se trata de ser de um Clube, trata-se de ser, simplesmente, Benfica!

E, como o amor por um filho adolescente se torna difícil de descrever, assim se torna difícil de descrever a minha relação com o Benfica.

Talvez este seja o escrito mais sem sentido que já escrevi, ou escreverei, mas, como na vida, o sentido da mesma é aquele que nós lhe damos; e o sentido da minha vida, na caminhada que iniciei há mais de meio século, percorre-se a vermelho e branco, porque existir, não basta, é preciso Ser!

E pluribus unum, nunca como hoje, nem que seja só porque sim.

+ opinião
Nuno Campilho
Nuno Campilho

29 Abr 2026 | 16:35

Icon Comentário0

É preciso ter lata

Apontadas incoerências a Rui Borges, técnico do Sporting, que abandonou discurso contra arbitragens e passou a queixar-se das mesmas

Nuno Campilho
Bernardo Alegra

23 Abr 2026 | 09:08

Icon Comentário0

Quando o futuro não paga o presente

Benfica continua a depender de vendas e receitas futuras para sobreviver, revelando um modelo frágil e cada vez menos sustentável

+ opinião
Nuno Campilho
Nuno Campilho

É preciso ter lata

Apontadas incoerências a Rui Borges, técnico do Sporting, que abandonou discurso contra arbitragens e passou a queixar-se das mesmas

29 Abr 2026 | 16:35

Icon Comentário0
Tozé Santos e Sá
Tozé Santos e Sá

APONTAMENTO – Vermelho e Branco: A JUSTIÇA DOS PODEROSOS!

Um paralelismo entre atual justiça portuguesa, que demora anos para colocar um ponto final em determinados processos e gestão ruinosa da Direção das águias

24 Abr 2026 | 03:00

Icon Comentário0
Bernardo Alegra
Bernardo Alegra

Quando o futuro não paga o presente

Benfica continua a depender de vendas e receitas futuras para sobreviver, revelando um modelo frágil e cada vez menos sustentável

23 Abr 2026 | 09:08

Icon Comentário0

envelope SUBSCREVER NEWSLETTER