Nuno Campilho
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06 Nov 2024 | 05:00

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Nuno Campilho

Ocorre-me este título de uma canção do Pedro Abrunhosa, para aludir ao dificílimo e exigente jogo que o Benfica vai ter em Munique.


Qual ‘besta negra’, o Bayern local nunca permitiu grandes (ou nenhumas) veleidades ao Benfica. Trata-se de uma equipa poderosíssima, que aponta como objetivo recorrente, depois de “limpar” 10 Bundesligas sucessivas, a conquista (ou a disputa final) da Liga dos Campeões.


Com um percurso não muito famoso na prova, até agora, mais focada há-de estar a equipa bávara para protagonizar uma boa exibição e garantir uma vitória que é imprescindível para legitimar as suas naturais aspirações neste novo formato da liga milionária.


Até parece, pelo meu discurso, que o jogo está perdido, à partida, para o lado do Glorioso, mas não é nada disso. Até no futebol temos de ser racionais e reconhecer o poderio do adversário, pois é a melhor e mais competente forma de enfrentar este enorme desafio e ter alguma ambição em poder equilibrar forças que, à partida, se desequilibram a favor do agremiado alemão.

Ao Benfica competirá ser Benfica e, aos jogadores, competirá repetir e reforçar, por exemplo, a exibição frente ao Atlético de Madrid. Não só porque tal corresponderá ao melhor Benfica da época, como, também, será a melhor (e única) estratégia para fazer frente ao Bayern de Munique.

Estou ansioso, como estarão, certamente, os milhões de benfiquistas que aguardam a hora do jogo, na expetativa da resposta que o seu clube da razão e do coração poderá dar na magnífica Allianz Arena. E, ainda mais que nós, estará a equipa técnica e os jogadores, pela enorme responsabilidade que sobre eles recai.

Depois do mau resultado e da pouco conseguida exibição frente ao Feyenoord, não se espera outra coisa que uma melhor capacidade de enfrentar adversários desta dimensão, até porque o resultado frente aos neerlandeses nos baralhou as contas e nos coloca mais “à pele” para passar à próxima fase. Acresce que são jogos desta natureza que nos podem fazer crer das reais capacidades dos jogadores, individual e coletivamente, e da sua mestria para dizerem presentes, atentos a uma longa e desgastante sucessão de jogos, que trará, já no próximo fim de semana, à Luz, o FC Porto.

O que ninguém pode querer, é que o Benfica seja capaz de vencer títulos, como todos e bem pretendem e exigem e, ao mesmo tempo, se dedique, exclusivamente, a enfrentar equipas portuguesas de pequena e média dimensão, que menorizam a competitividade e o registo competitivo, quer da Primeira Liga, quer dos jogadores do Benfica, formatados que estão, do meu ponto de vista, para ‘coisas em grande’.

Ninguém anteciparia a vitória retumbante frente ao Atlético de Madrid, como, estou certo, ninguém está a antecipar algo parecido no jogo que se avizinha. É no meio termo entre a confiança, a responsabilidade e a noção da dimensão e capacidade de ambos os planteis (assim como do momento atual dos mesmos), que se poderá extrair o melhor que possa vir a suceder, e, na certeza que tudo faremos para acertar agulhas com este meio termo, ninguém se envergonhará do que daí resultar após terminar o encontro.

Sobranceria é meio caminho andado para a humilhação, assim como o receio nos coloca mais próximos da rendição. Que os valentes atletas que envergam o manto sagrado possam fazer-nos orgulhar da sua performance e possam manter intacta a grandeza do clube que representam, seja qual for o resultado, no fundo, manter a chama imensa.

Olhos, nos olhos, Otamendi (como capitão e em representação de todos os outros), mais que ganhar (e, não confundamos com participar), aquilo a que eu apelo é… vamos jogar! Até porque eu já vos vi jogar muito bem…

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Nuno Campilho
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