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O Benfica realizou no passado sábado, 14 de dezembro a Assembleia Geral Extraordinária para a votação de alteração dos Estatutos do Benfica. A reunião que contou com a presença de cerca de 300 sócios realizou-se entre as 10 horas e as 18 horas, onde foram aprovadas algumas mudanças.
Os presentes na terceira sessão da Assembleia Geral Extraordinária aprovaram, então, a possibilidade de uma segunda volta nas eleições, assim como a apresentação de listas separadas aos órgãos sociais. Aprovada com 82,6 por cento dos votos, vingou a proposta que permite a apresentação de listas separadas às eleições do clube. Os estatutos em vigor preveem a apresentação de listas completas, sendo que a mais votada preenche os lugares nos diferentes órgãos sociais.
Desta forma, abre-se a possibilidade de ganhar uma lista para a Direção, e depois outra, ligada a um candidato diferente, para a Mesa da Assembleia Geral ou para o Conselho Fiscal, algo que até ao momento não acontecia.
Em relação à possibilidade de uma segunda volta, medida aprovada com 88 por cento, ficou definido que a proposta avança caso nenhuma das listas consiga reunir mais de 50 por cento dos votos. Nesse cenário, a corrida eleitoral fica reduzida às duas listas mais votadas, que serão chamadas então a segunda ronda, a realizar no prazo máximo de 15 dias.
Casas sem votos
As casas do Benfica também estiveram em destaque na AGE. A proposta de consenso, no artigo 82.º, previa a seguinte atribuição de votos:
a) O número de votos atribuídos às Casas do Benfica, nos termos dos números anteriores, não releva para efeitos de requerimentos, pedidos de convocação de assembleias-gerais, propositura de candidaturas e referendos.
b) Com mais de cinco anos ininterruptos de existência e até dez anos — dez votos;
c) Com mais de dez anos ininterruptos de existência e até vinte e cinco anos — vinte votos.
d) Com mais de vinte cinco anos ininterruptos de existência — cinquenta votos.
Contudo, a proposta apresentada pelos associados José Alexandre Bogas, Jorge Batista e Pedro Gama, entre outros, que propunha a eliminação deste artigo, recebeu mais de 75 por cento dos votos, e desta forma as casas do Benfica perdem o direito de votar nas eleições.
Recorde-se que o processo de revisão dos estatutos, com a produção de uma proposta final que será, agora, objeto de estudo jurídico, para detetar eventuais contradições ou erros, nos próximos dias, e votada em urna, em data a anunciar, em Assembleia Geral. Vale salientar que para ser aprovada, assinalou o presidente da Mesa da AG, José Pereira da Costa, precisa de pelo menos 75 por cento dos votos favoráveis.
Durante o dia de ontem, 10 de março, cinco testemunhas foram ouvidas sobre o caso que envolve o Clube da Luz e Rui Pinto, no Juízo Central Criminal de Lisboa
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Todas as cinco testemunhas que foram ouvidas na nova sessão do processo tiveram, na altura em decorreram os crimes, ligações institucionais com o Benfica. Destacando dois nomes, o antigo diretor financeiro das águias, Miguel Moreira e o ex-diretor de comunicação, Luís Bernardo.
Na altura do seu depoimento, o antigo dirigente, responsável pelo departamento financeiro do Clube da Luz, revelou que os ataques informáticos foram prejudiciais. “Há todo um impacto reputacional e também económico em relação ao segredo de negócio. É uma vantagem competitiva que se perdia perante os nossos concorrentes. Há ainda um impacto pessoal, para a própria organização, com preocupações futuras informáticas ou jurídicas”, começou por dizer Miguel Moreira.
Já Luís Bernardo, antigo diretor de comunicação, recordou os tempos difíceis que os encarnados enfrentaram: “O Clube quase paralisou. Aqueles três primeiros meses foram muito difíceis. Foi criado uma espécie de 'gabinete de crise'. A própria direção paralisou. Tivemos um momento de choque e avaliação, que durou cerca de três meses”.
Sobre as medidas tomadas depois dos ataques informáticos, o ex-diretor de comunicação revelou que o Benfica teve de fazer certas mudanças. “O Clube ficou um pouco paralisado, porque a sua atividade estava mais centrada nisto. Mudou os seus hábitos e teve reflexos nos resultados desportivos. Após quatro anos seguidos a ganhar, o Benfica estava à frente e começou a perder pontos”, vincou Luís Bernardo.
Denúncia deu entrada na justiça no passado mês de outubro e o organismo responsável deu início à investigação que visa o Clube da Luz
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O Ministério Público, órgão responsável pelo encaminhamento e realizações dos processos judiciais em Portugal, abriu recentemente uma investigação que visa os negócios celebrados entre o Benfica e o Valência. Ao que o Record apurou, a denúncia foi feita em outubro, por Miguel Zorío, vice-presidente do emblema espanhol entre 2009 e 2010.
A notícia foi avançada pelo jornal espanhol ‘El Diario’, que revelou um documento, neste caso um e-mail, onde o Ministério Público confirma o início da dita investigação. O mesmo documento, enviado a Miguel Zorío, a 18 de fevereiro, também foi consultado pelo Record.
O ex dirigente valenciano, recorde-se, fez uma denúncia por alegados crimes de corrupção internacional e branqueamento de capitais, entre outros, contra as SAD do Benfica e Valencia, o empresário Jorge Mendes e os auditores das duas sociedades. Em causa estão as transferências de Rodrigo Moreno, André Gomes, João Cancele Enzo Pérez para o emblema espanhol e no sentido inverso, a chegada de Jonas ao Clube da Luz.
Na altura em que fez a denúncia, Miguel Zorío prestou declarações ao Record, onde abordou o tema. “É claríssimo que o Valencia colocou no Benfica quase 100 M€. Mais de metade desse dinheiro perdeu-se pelo caminho. O Benfica, em 2014, estava muito mal economicamente. Com a compra do Valencia por Peter Lim e Jorge Mendes, utilizou-se o dinheiro do Valencia para salvar o Benfica”, contou o antigo vice-presidente valenciano.
Em conversa com o jornal, Zorío garantiu que Peter Lim sabia do que estava a fazer: “Sabiam como movimentar o dinheiro fora dos circuitos legais”. Apresentando um cenário de como o dinheiro era movimentado: “Rede de empresas de offshore que já tinham sido criadas”.
Antigo candidato do Clube da Luz recorreu às redes sociais para congratular-se com o desfecho da Assembleia Geral para aprovar o documento
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Durante o mês de fevereiro, a imprensa nacional adiantou que Noronha Lopes estaria a ponderar uma possível candidatura à presidência do Benfica. Depois da realização da Assembleia Geral de sábado, 8 de março, a ideia de que o antigo candidato irá mesmo entrar na corrida eleitoral ganhou mais força depois da sua publicação, onde reagiu ao desfecho da revisão dos Estatutos.
O Benfiquista, que saiu derrotado nas eleições de 2020, as mais concorridas da história do Clube da Luz, publicou na rede social Instagram, uma mensagem a congratular-se com o desfecho da Assembleia Geral. O possível candidato ‘aplaudiu’ a participação dos quase 8 mil Sócios no Pavilhão da Luz.
Recorde-se que desde setembro do ano passado que o Clube da Luz tentava, sem sucesso, aprovar os novos estatutos, com vista às regulamentações necessárias para as eleições presidenciais que irão decorrer no próximo mês de outubro. Na sua conta oficial de Instagram, o Benfiquista saudou a decisão tomada pelos sócios presentes na reunião. “E o Benfica ganhou”.
Noronha Lopes - Grande vitória de todos os que acreditam num clube melhor e mais democrático
Na publicação pode ler-se a seguinte mensagem, “Grande vitória de todos os que acreditam num clube melhor e mais democrático. Viva o Benfica!”, escreveu Noronha Lopes. Recorde-se, que depois de quatro anos em silêncio, nos últimos dias falou por três vezes aos Benfiquistas: a 28 de fevereiro, na passada sexta-feira, véspera da AG, e este domingo, dia a seguir à aprovação dos estatutos.
Confira aqui a publicação de Noronha Lopes: