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Exclusivo Glorioso 1904 - João Diogo Manteigas prepara 'revolução' no Benfica: "Desinvestir naquilo que são as contratações caras"

Em conversa com o nosso Jornal, o candidato à Presidência abordou vários temas, nomeadamente a carência de títulos face ao investimento do Clube

Glorioso 1904
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15 Set 2024 | 20:00 |

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João Diogo Manteigas tem uma visão diferente que promete 'revolucionar' as modalidades do Benfica. Em entrevista exclusiva ao Glorioso 1904, o candidato à Presidência das águias garantiu que considera melhor "desinvestir" e passar "a apostar na formação". O Benfiquista acredita que há claramente uma situação preocupante no andebol e no futsal, que mesmo com um grande investimento, continuam a carecer de títulos.


"Há modalidades que me deixam preocupado. O futsal e o andebol são duas modalidades que me deixam muito preocupado."


Glorioso 1904 (G). Qual é o papel das modalidades na sua visão para o Benfica? Como pretende apoiar e desenvolvê-las?


João Diogo Manteigas (JDM). Pergunta difícil. Vou ser muito honesto. O Clube tem um problema financeiro tão ou mais grave que a SAD. As contas e os orçamentos do Clube, olhe, nem sei se a Direção entende que o orçamento foi aprovado no passado mês de junho, ainda não disseram nada, estamos à espera que venham dizer qualquer coisa. O Clube tem de facto um orçamento elevado para as modalidades, temos muitas modalidades e acho que se devem manter as modalidades. Temos, felizmente, um sucesso brutal naquilo que é o feminino, e, portanto, aí há pouco a fazer, parece-me que está a correr bem, não se mexe. Naquilo que corre bem, não se mexe.

Há modalidades que me deixam preocupado. O futsal e o andebol são duas modalidades que me deixam muito preocupado. O investimento é elevado, isso percebe-se. Mesmo que eu faça a divisão do orçamento, o dinheiro que é investido é elevado e não vejo esse retorno desportivo.


O voleibol é um caso de sucesso, há muito pouco a dizer, temos uma estrutura espetacular, temos um treinador espetacular e, portanto, tem vindo a fazer as alterações sempre com sucesso e o Benfica é dominador no voleibol. No futsal, de facto, temos ali um problema para resolver, que é resolvido com formação. De uma vez por todas o Benfica, se calhar, é melhor desinvestir, apostar na formação, meter miúdos a jogar, nunca acabar com a modalidade.

" De uma vez por todas o Benfica, se calhar, é melhor desinvestir, apostar na formação, meter miúdos a jogar, nunca acabar com a modalidade."

O andebol é mais complexo. Não somos campeões desde 2008, é verdade, ganhámos uma taça pelo meio, a Taça EHF, que é de extrema importância, que é um ícone internacional, mas mesmo assim não há estabilidade absolutamente nenhuma no andebol. Mais a mais, tivemos um caso grave, enfim, até judicial, relacionado com o andebol e que causa ainda alguma celeuma, isso é visível nas Assembleias Gerais. Há muitas pessoas, há muitos sócios que vão lá perguntar o que é que se passa com o andebol, como é que está o processo do andebol, houve despedimentos no andebol, e, portanto, alguma coisa tem que ser feita relativamente ao futsal e ao andebol. Não podem continuar assim.

O hóquei e o basquetebol são duas modalidades que vão ganhando, têm estabilidade. Nós temos contratado valores, ainda agora fui ver o basquetebol contra o Real Madrid, em Badajoz, temos ali jogadores que são interessantes, fizemos ali algumas contratações caras, percebe-se. Mas quer dizer, a nossa realidade não é a realidade de Espanha. O Benfica consegue ter uma equipa competitiva, e que pode baixar ali o custo competitivo em Portugal. No hóquei, e o Benfica é uma referência mundial, quer dizer, sempre tivemos os melhores jogadores do mundo no Benfica, o nosso campeonato é dos melhores do mundo também, mas falta alguma coisa transversal nas modalidades, temos pouca formação, muito honestamente. Vejo isso no feminino, que é engraçado. Nas modalidades do feminino, apostamos muito na formação, se calhar até por uma necessidade de falta de investimento, não há dinheiro, não há receita, não há patrocinadores.

Não vejo isso replicado no modelo dos masculinos. Vejo muito investimento, muito rápido, e não vejo a relação com quem patrocina as modalidades, e não vejo qual é a relação, não consigo ver o ganho que esses patrocinadores têm, porque não há sucesso desportivo, sobretudo naquelas modalidades.

G. O Benfica tem um orçamento bastante superior aos principais rivais nas várias modalidades. Contudo, os resultados não são condizentes com o nível de investimento. Como pretende alterar esta situação?

JDM. Desinvestir naquilo que são as contratações pesadas e caras. Vou-lhe dar um exemplo. O hóquei, agora, que é uma modalidade em que não estamos mal, contrata dois jogadores, um deles é um regresso ao Benfica, mas contrata um jogador conhecidíssimo, muito bom, por um milhão de euros a cinco anos, salvo erro. Há que perceber qual é a necessidade. É verdade que é uma referência, é um ótimo jogador, ninguém coloca isso em causa. Mas a projeção e o projeto desportivo passa por ter jogadores de identidade do Benfica, que conheçam a casa, que vão progredindo. Damos essa oportunidade e eles de certeza vão reembolsar-nos desportivamente, por assim dizer, da oportunidade que lhes demos. Portanto, a mesma premissa que é aplicada no futebol tem que ser também nas modalidades.

Portanto, a formação é a base de tudo e nós temos que promover esses jogadores. O Benfica tem que ter jogadores a nível internacional com essa chancela, com a marca Benfica. Isso em determinadas modalidades não se faz, o que me leva à dúvida sobre o dinheiro (investido).

"A formação é a base de tudo e nós temos que promover esses jogadores"

O Benfica quando tem que contratar esses jogadores, esses atletas têm que ter financiamento em algum lado. O Benfica, Clube, que é quem gera as modalidades, não é uma estrutura societária. Portanto, aquilo anda tudo à volta de receitas de liberalidades e donativos, patrocínios.

Portanto, o orçamento do Benfica Clube tem que ser feito com base na projeção de receitas que vai ter a nível de patrocínios. Isto é um bocado estranho. Nós criamos, efetivamente, uma estrutura mais profissionalizada. Já nem digo modelo de gestão, porque não sei qual é o modelo de gestão das modalidades. Já pedi muitas vezes ao Benfica para me explicar qual é o modelo de gestão aplicado hoje nas modalidades. Nunca me deram, nunca mostraram, não faço ideia de qual é que é.

Sei que há team managers, sei que há diretores intermédios, mas não sei quem que manda em quem, quem que gera quem, não faço ideia. Portanto, como não há essa transparência, tenho muita dificuldade em responder-lhe se é sustentável. No final do dia, acho que não é sustentável. Porquê?

Porque olho para as contas do Clube, olho para as contas do Clube e vejo que o buraco financeiro é enorme. Portanto, aquilo também não é rentável, não gera receita para pagar a despesa. E continuo a ver que o investimento é grande, em contratações de atletas já consumados, já profissionalizados… o dinheiro vem de onde?

G. Tem planos para expandir as modalidades praticadas pelo clube?

JDM. Tenho. O que gostava era que houvesse uma maior ligação entre aquilo que é o feminino e o masculino para perceber até conceitos de modelo de gestão. Vamos lá ver, estamos sempre confrontados com a questão do ciclismo, por exemplo, aquela modalidade que devia reaparecer, temos esse símbolo até completamente definido e é público, mas enquanto não entramos lá, não reestruturarmos tudo, temos pelo menos de estancar a hemorragia que acontece no financeiro, que é pensar porque é no Clube.. Primeiro temos que reorganizar o modelo, metê-lo a funcionar e depois disso conseguimos pensar numa expansão, mas enquanto não conseguimos estabilizar o que é necessário estabilizar, não vale a pena pensar em expansão. Temos que aguentar o Benfica de forma a que o Benfica continue a ganhar. Há aqui coisas pontuais que podem ser feitas. No futsal e no andebol é perfeitamente possível fazê-lo.

Agora, precisamos de tempo também, não é? Mas não estou aqui a dizer que precisamos de oito ou 12 anos. Quatro anos é perfeitamente suficiente para conseguirmos mostrar que é perfeitamente possível ter uma gestão diferente. 

"Enquanto não conseguimos estabilizar o que é necessário estabilizar, não vale a pena pensar em expansão"

Confira aqui as declarações de João Diogo Manteigas: 


Entrevista exclusiva de João Diogo Manteigas ao Glorioso 1904:

 - Parte 1: Exclusivo Glorioso 1904 - “Tenho a certeza que Noronha Lopes e Benitez vão-me apoiar”

 - Parte 2: Exclusivo Glorioso 1904 – João Diogo Manteigas: “Não tenho Bruno Lage como uma pessoa de pulso forte”

- Parte 3: Exclusivo Glorioso 1904 – João Diogo Manteigas fala em “amadorismo” na gestão da SAD: “Benfica está constantemente a precisar de dinheiro”

- Parte 4: Exclusivo Glorioso 1904 – João Diogo Manteigas perentório: “Seria fácil manter João Neves no Benfica”

- Parte 5: Exclusivo Glorioso 1904 - João Diogo Manteigas prepara 'revolução' no Benfica: "Desinvestir naquilo que são as contratações caras"

 - Parte 6: Exclusivo Glorioso 1904 – João Diogo Manteigas rejeita ideia de vieirismo no Benfica: “Rui Costa é outra coisa (…) mas modelo é igual”

 - Parte 7: Exclusivo Glorioso 1904 – Quem é João Diogo Manteigas que se candidata à Presidência do Benfica

- Parte 8: Exclusivo Glorioso 1904 – Rui Costa? João Diogo Manteigas sem ‘papas na língua’: “Indecisão”


Clube

"Quatro anos de ausência de liderança": João Gabriel critica Benfica e deixa farpa a Proença

Antigo responsável encarnado recuperou um tema que está a gerar discussão e deixou fortes críticas à estratégia seguida pelo Clube

João Gabriel afirma que o Benfica anda a fazer uma peça de propaganda sobre a centralização dos direitos de TV e deixou fortes críticas a Proença
João Gabriel afirma que o Benfica anda a fazer uma peça de propaganda sobre a centralização dos direitos de TV e deixou fortes críticas a Proença

12 Ago 2026 | 15:00 |

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João Gabriel, antigo diretor de comunicação do Benfica, lançou duras críticas à petição apresentada pelo Clube na Assembleia da República para travar ou rever o processo de centralização dos direitos televisivos do futebol português. O ex responsável encarnado considerou que a iniciativa surge demasiado tarde e assume sobretudo um caráter político e propagandístico.


J. Gabriel: Há mais de cinco anos que se sabe"


"Há mais de cinco anos que se sabe que a centralização dos direitos televisivos vai avançar. A lei é de 2021, o calendário é conhecido e a época de 2028/29 nunca esteve escondida de ninguém", escreveu numa publicação no LinkedIn.


As críticas à atual liderança foram particularmente fortes quando apontou diretamente aquilo que considera ter sido uma ausência de intervenção durante os últimos anos. "Esta direção teve cinco anos para estudar, negociar, propor, influenciar e, sobretudo, liderar. O Benfica não o fez, e agora, só agora, descobre a Assembleia da República na tentativa de suspender um processo que durante cinco anos ignorou", afirmou. 

J. Gabriel: " É uma peça de propaganda"


João Gabriel classificou mesmo a iniciativa como uma ação essencialmente comunicacional. "É por tudo isto que esta petição é, acima de tudo, uma peça de propaganda. O Benfica tem razão em vários dos problemas que identifica; o que não pode é transformar quatro anos de ausência de liderança numa súbita demonstração de combate", pode ler-se.

O antigo diretor de comunicação também dirigiu críticas a Pedro Proença - novamente - , presidente da Federação Portuguesa de Futebol, pela forma como considera que o debate sobre a centralização foi conduzido. "Pedro Proença contaminou, desde o início, o debate sobre a centralização a uma discussão sobre distribuição de dinheiro, quando a questão central deveria sempre ter sido a reforma dos quadros competitivos. É legítimo que o Benfica esteja preocupado. O que não é legítimo é fingir que descobriu o problema em 2026", concluiu.

Veja a publicação de João Gabriel:


Clube

Manteigas arrasa Rui Costa à frente do Benfica e fala em "mediocridade"

Adversário do atual presidente nas últimas eleições das águias, advogado volta a criticar Presidente das águias e pede fim às desculpas

João Diogo Manteigas faz críticas a Rui Costa, pede fim das desculpas e da mediocridade no Benfica para a época 2026/27
João Diogo Manteigas faz críticas a Rui Costa, pede fim das desculpas e da mediocridade no Benfica para a época 2026/27

09 Ago 2026 | 17:04 |

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João Diogo Manteigas elevou a exigência antes da estreia do Benfica na Liga Betclic 2026/27. O antigo candidato à presidência das águias às redes sociais para deixar uma mensagem de apoio à equipa, mas aproveitou também para lançar fortes críticas ao percurso recente do Clube e deixar um recado à Direção liderada por Rui Costa.


Manteigas critica Rui Costa, Presidente do Benfica: "chega de desculpas..."


Manteigas não poupou nas palavras e apontou diretamente à falta de títulos nas últimas temporadas: "É tempo de dizer, sem rodeios, que chega de desculpas: vencer apenas um campeonato nas últimas cinco épocas é medíocre. Não conquistar uma Taça de Portugal desde 2017 é indesculpável."


Na mensagem publicada nas redes sociais, defendeu que o Benfica não pode baixar o nível de exigência perante resultados considerados insuficientes. "A exigência do Benfica não pode adaptar-se aos resultados. São os resultados que têm de estar à altura da dimensão, da história e da ambição do clube", escreveu.

A mensagem surge precisamente no dia em que as águias iniciam uma nova caminhada no campeonato, numa temporada em que a pressão por títulos volta a estar em cima da equipa. Manteigas dirigiu ainda a atenção para a liderança do Clube e deixou uma mensagem clara a Rui Costa e à restante direção.


"Defender o Benfica, em qualquer circunstância e sem restrições, é aquilo que esperamos de quem foi legitimamente mandatado pelos associados para essa missão", afirmou. O antigo candidato à presidência considera que cabe à direção criar todas as condições para o sucesso desportivo e, simultaneamente, defender os interesses do Benfica fora das quatro linhas.


Clube

PSP 'ignora' pedido de Rui Costa para o Benfica - Académico de Viseu

Polémica em torno da estreia das águias na Liga Portugal Betclic ganhou um novo capítulo e a posição das autoridades promete dar que falar entre os adeptos

PSP afirmou que a organização na fan zone anunciada por Rui Costa para o jogo contra o Académico de Viseu é de inteira responsabilidade do Benfica
PSP afirmou que a organização na fan zone anunciada por Rui Costa para o jogo contra o Académico de Viseu é de inteira responsabilidade do Benfica

07 Ago 2026 | 16:13 |

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A estreia do Benfica na edição 2026/27 da Liga Portugal Betclic continua a gerar polémica, não apenas pela ausência de público nas bancadas, mas também pela iniciativa preparada para permitir aos adeptos acompanhar o encontro nas imediações do Estádio da Luz. Nas últimas horas, as autoridades decidiram esclarecer publicamente qual será exatamente o seu papel durante o evento.


A PSP demarcou-se da organização da "fan zone" do Benfica, esclarecendo que a iniciativa instalada no exterior do Estádio da Luz é da "inteira responsabilidade" do Clube. A força policial confirmou, contudo, que vai assegurar o policiamento do encontro com os "viriatos", agendado para domingo, às 20h30, garantindo o cumprimento da sanção que obriga à realização da partida à porta fechada.


Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP explicou que "à PSP caberá a manutenção da ordem pública e a segurança do espetáculo e dos agentes desportivos". A nota acrescenta que a 3.ª Divisão Policial tem estado em articulação com a direção de segurança do Glorioso para "garantir o cumprimento dos normativos legais e o normal decorrer do evento", deixando ainda um apelo ao civismo de todos os envolvidos.


A posição da PSP surge depois de o Benfica ter anunciado a criação de uma "fan zone" com ecrãs gigantes e restauração no exterior do estádio, permitindo aos adeptos acompanhar a estreia da equipa na Liga apesar da interdição das bancadas. O Clube da Luz tinha garantido que a operação estava a ser preparada em conjunto com as forças de segurança para assegurar "todas as condições" aos adeptos, que poderão igualmente acompanhar a chegada da equipa junto à estátua de Eusébio.

Por outro lado, a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), questionada pela Agência Lusa, afirmou não considerar que a concentração de adeptos no exterior possa "contornar a decisão judicial", uma vez que a sanção de jogo à porta fechada será cumprida. Assim, o Benfica - Académico de Viseu mantém-se marcado para domingo, às 20h30, com as bancadas interditas e uma operação especial preparada no exterior do Estádio da Luz.



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04 Ago 2026 | 17:15

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