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Antigo presidente do Benfica defende Rui Costa e ataca Noronha Lopes: "Não tem mística"
14 Abr 2026 | 09:52
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15 Set 2024 | 20:00 |
João Diogo Manteigas tem uma visão diferente que promete 'revolucionar' as modalidades do Benfica. Em entrevista exclusiva ao Glorioso 1904, o candidato à Presidência das águias garantiu que considera melhor "desinvestir" e passar "a apostar na formação". O Benfiquista acredita que há claramente uma situação preocupante no andebol e no futsal, que mesmo com um grande investimento, continuam a carecer de títulos.
"Há modalidades que me deixam preocupado. O futsal e o andebol são duas modalidades que me deixam muito preocupado."
Glorioso 1904 (G). Qual é o papel das modalidades na sua visão para o Benfica? Como pretende apoiar e desenvolvê-las?
João Diogo Manteigas (JDM). Pergunta difícil. Vou ser muito honesto. O Clube tem um problema financeiro tão ou mais grave que a SAD. As contas e os orçamentos do Clube, olhe, nem sei se a Direção entende que o orçamento foi aprovado no passado mês de junho, ainda não disseram nada, estamos à espera que venham dizer qualquer coisa. O Clube tem de facto um orçamento elevado para as modalidades, temos muitas modalidades e acho que se devem manter as modalidades. Temos, felizmente, um sucesso brutal naquilo que é o feminino, e, portanto, aí há pouco a fazer, parece-me que está a correr bem, não se mexe. Naquilo que corre bem, não se mexe.
Há modalidades que me deixam preocupado. O futsal e o andebol são duas modalidades que me deixam muito preocupado. O investimento é elevado, isso percebe-se. Mesmo que eu faça a divisão do orçamento, o dinheiro que é investido é elevado e não vejo esse retorno desportivo.
O voleibol é um caso de sucesso, há muito pouco a dizer, temos uma estrutura espetacular, temos um treinador espetacular e, portanto, tem vindo a fazer as alterações sempre com sucesso e o Benfica é dominador no voleibol. No futsal, de facto, temos ali um problema para resolver, que é resolvido com formação. De uma vez por todas o Benfica, se calhar, é melhor desinvestir, apostar na formação, meter miúdos a jogar, nunca acabar com a modalidade.
" De uma vez por todas o Benfica, se calhar, é melhor desinvestir, apostar na formação, meter miúdos a jogar, nunca acabar com a modalidade."
O andebol é mais complexo. Não somos campeões desde 2008, é verdade, ganhámos uma taça pelo meio, a Taça EHF, que é de extrema importância, que é um ícone internacional, mas mesmo assim não há estabilidade absolutamente nenhuma no andebol. Mais a mais, tivemos um caso grave, enfim, até judicial, relacionado com o andebol e que causa ainda alguma celeuma, isso é visível nas Assembleias Gerais. Há muitas pessoas, há muitos sócios que vão lá perguntar o que é que se passa com o andebol, como é que está o processo do andebol, houve despedimentos no andebol, e, portanto, alguma coisa tem que ser feita relativamente ao futsal e ao andebol. Não podem continuar assim.
O hóquei e o basquetebol são duas modalidades que vão ganhando, têm estabilidade. Nós temos contratado valores, ainda agora fui ver o basquetebol contra o Real Madrid, em Badajoz, temos ali jogadores que são interessantes, fizemos ali algumas contratações caras, percebe-se. Mas quer dizer, a nossa realidade não é a realidade de Espanha. O Benfica consegue ter uma equipa competitiva, e que pode baixar ali o custo competitivo em Portugal. No hóquei, e o Benfica é uma referência mundial, quer dizer, sempre tivemos os melhores jogadores do mundo no Benfica, o nosso campeonato é dos melhores do mundo também, mas falta alguma coisa transversal nas modalidades, temos pouca formação, muito honestamente. Vejo isso no feminino, que é engraçado. Nas modalidades do feminino, apostamos muito na formação, se calhar até por uma necessidade de falta de investimento, não há dinheiro, não há receita, não há patrocinadores.
Não vejo isso replicado no modelo dos masculinos. Vejo muito investimento, muito rápido, e não vejo a relação com quem patrocina as modalidades, e não vejo qual é a relação, não consigo ver o ganho que esses patrocinadores têm, porque não há sucesso desportivo, sobretudo naquelas modalidades.
G. O Benfica tem um orçamento bastante superior aos principais rivais nas várias modalidades. Contudo, os resultados não são condizentes com o nível de investimento. Como pretende alterar esta situação?
JDM. Desinvestir naquilo que são as contratações pesadas e caras. Vou-lhe dar um exemplo. O hóquei, agora, que é uma modalidade em que não estamos mal, contrata dois jogadores, um deles é um regresso ao Benfica, mas contrata um jogador conhecidíssimo, muito bom, por um milhão de euros a cinco anos, salvo erro. Há que perceber qual é a necessidade. É verdade que é uma referência, é um ótimo jogador, ninguém coloca isso em causa. Mas a projeção e o projeto desportivo passa por ter jogadores de identidade do Benfica, que conheçam a casa, que vão progredindo. Damos essa oportunidade e eles de certeza vão reembolsar-nos desportivamente, por assim dizer, da oportunidade que lhes demos. Portanto, a mesma premissa que é aplicada no futebol tem que ser também nas modalidades.
Portanto, a formação é a base de tudo e nós temos que promover esses jogadores. O Benfica tem que ter jogadores a nível internacional com essa chancela, com a marca Benfica. Isso em determinadas modalidades não se faz, o que me leva à dúvida sobre o dinheiro (investido).
"A formação é a base de tudo e nós temos que promover esses jogadores"
O Benfica quando tem que contratar esses jogadores, esses atletas têm que ter financiamento em algum lado. O Benfica, Clube, que é quem gera as modalidades, não é uma estrutura societária. Portanto, aquilo anda tudo à volta de receitas de liberalidades e donativos, patrocínios.
Portanto, o orçamento do Benfica Clube tem que ser feito com base na projeção de receitas que vai ter a nível de patrocínios. Isto é um bocado estranho. Nós criamos, efetivamente, uma estrutura mais profissionalizada. Já nem digo modelo de gestão, porque não sei qual é o modelo de gestão das modalidades. Já pedi muitas vezes ao Benfica para me explicar qual é o modelo de gestão aplicado hoje nas modalidades. Nunca me deram, nunca mostraram, não faço ideia de qual é que é.
Sei que há team managers, sei que há diretores intermédios, mas não sei quem que manda em quem, quem que gera quem, não faço ideia. Portanto, como não há essa transparência, tenho muita dificuldade em responder-lhe se é sustentável. No final do dia, acho que não é sustentável. Porquê?
Porque olho para as contas do Clube, olho para as contas do Clube e vejo que o buraco financeiro é enorme. Portanto, aquilo também não é rentável, não gera receita para pagar a despesa. E continuo a ver que o investimento é grande, em contratações de atletas já consumados, já profissionalizados… o dinheiro vem de onde?
G. Tem planos para expandir as modalidades praticadas pelo clube?
JDM. Tenho. O que gostava era que houvesse uma maior ligação entre aquilo que é o feminino e o masculino para perceber até conceitos de modelo de gestão. Vamos lá ver, estamos sempre confrontados com a questão do ciclismo, por exemplo, aquela modalidade que devia reaparecer, temos esse símbolo até completamente definido e é público, mas enquanto não entramos lá, não reestruturarmos tudo, temos pelo menos de estancar a hemorragia que acontece no financeiro, que é pensar porque é no Clube.. Primeiro temos que reorganizar o modelo, metê-lo a funcionar e depois disso conseguimos pensar numa expansão, mas enquanto não conseguimos estabilizar o que é necessário estabilizar, não vale a pena pensar em expansão. Temos que aguentar o Benfica de forma a que o Benfica continue a ganhar. Há aqui coisas pontuais que podem ser feitas. No futsal e no andebol é perfeitamente possível fazê-lo.
Agora, precisamos de tempo também, não é? Mas não estou aqui a dizer que precisamos de oito ou 12 anos. Quatro anos é perfeitamente suficiente para conseguirmos mostrar que é perfeitamente possível ter uma gestão diferente.
"Enquanto não conseguimos estabilizar o que é necessário estabilizar, não vale a pena pensar em expansão"
Confira aqui as declarações de João Diogo Manteigas:
Entrevista exclusiva de João Diogo Manteigas ao Glorioso 1904:
- Parte 1: Exclusivo Glorioso 1904 - “Tenho a certeza que Noronha Lopes e Benitez vão-me apoiar”
Antigo presidente do Glorioso acredita que homem de confiança do atual líder do Clube encarnado pode ajudar as águias a crescer
14 Abr 2026 | 13:27 |
Manuel Damásio quebrou o silêncio e concedeu uma grande entrevista, onde falou da atualidade do Benfica. Um dos temas debatidos foi os erros de Rui Costa. Manuel Damásio defende que o atual presidente teve falhas, mas que agora está rodeado de funcionários muito competentes, na qual referiu Nuno Catarino.
M. Damásio: "Fiquei com uma impressão muito boa"
"Fiquei com uma impressão muito boa dele. É um homem que procura novas receitas, não dependendo apenas da Liga da Campeões. Neste aspeto, durmo tranquilo. Há todas as possibilidades da próxima época correr bem com as pessoas que lá estão" , revelou, em declarações ao jornal Record.
O antigo líder máximo do Glorioso entre 1994 e 1997 ainda falou que Rui Costa merece um novo voto de confiança e que achou melhor falar em público sobre a continuidade de Mourinho. "Ainda pensei em falar com Rui Costa. Mas se o fizesse em privado ninguém saberia o que teria sido dito. Se é público, mas sério e correto, ele não tem de chatear. Se ele tomar estas decisões, terá o aplauso de toda a gente. É uma questão de ética e de benfiquismo. Ele merece este voto de confiança pelo seu passado e pelo esforço que tem feito", falou.
Nuno Catarino é o Chief Financial Officer (CFO) do Benfica, sendo responsável pela gestão financeira e estratégica do clube, incluindo planeamento orçamental, controlo de custos e sustentabilidade económica. Integra a estrutura diretiva das águias e tem um papel central na definição das linhas de investimento e na supervisão das contas do grupo Benfica.
Vale lembrar que na mesma entrevista, Manuel Damásio criticou severamente Noronha Lopes. "Como empresário, Noronha Lopes tinha boas ideias. Tinha até boa equipa, mas não o apoiei porque não tinha o coração e a mística... Para se ser presidente do Benfica não basta pensar apenas na gestão" , disse.
Numa entrevista à imprensa nacional, figura de relevo no universo encarnado defende que águias vão sair prejudicadas com este modelo apresentado
14 Abr 2026 | 12:49 |
Nuno Catarino voltou a frisar que o atual modelo da centralização dos direitos televisivos vai ser prejudicial para o Benfica. Numa entrevista à imprensa nacional, o CFO da SAD encarnada - que também falou do financiamento do District - considera que os vermelhos e brancos podem vir a ter perdas significativas nas receitas.
Nuno Catarino: "Estamos a falar de uma perda provável de 5 a 15 milhões de euros [por ano] para o Benfica"
"Com base no cenário de €220 milhões apontado pela Liga, estamos a falar de uma perda provável de 5 a 15 milhões de euros [por ano] para o Benfica, dependendo de outras variáveis", começou por dizer Nuno Catarino, em declarações ao jornal ECO, alertando que o atual momento apresentado é prejudicial.
"É uma situação inaceitável para nós, e por isso a nossa abordagem tem sido construtiva — que é a nossa postura natural — mas simultaneamente assertiva", assumiu Nuno Catarino, frisando que o Benfica tem de ter em conta os seus interesses e o seu bem-estar financeiro.
Nuno Catarino: "Em 99 por cento das decisões, o bem do futebol português é o bem do Benfica, e vice-versa"
"Reconhecemos que para a maioria dos clubes nacionais esta centralização representa uma situação muito complexa. Já existem cinco ou seis clubes que não conseguiram negociar, ou que receberam propostas muito baixas, porque os operadores tiram partido da situação. Em 99 por cento das decisões, o bem do futebol português é o bem do Benfica, e vice-versa", explicou, assumindo que as águias podem entrar no projeto.
"O Benfica não precisa desse processo para ter boas condições de mercado — mas reconhece que, para muitos outros clubes, faz todo o sentido. O valor total de receitas de televisão para as duas épocas chega a 114,2 milhões de euros se incluirmos a publicidade dinâmica no estádio retida pelo Benfica [€7,2 milhões para duas épocas] e o contrato de exploração publicitária da BTV [€2,4 milhões]", concluiu, em entrevista ao jornal ECO.
Numa entrevista exclusiva à imprensa nacional, antigo dirigente máximo dos encarnados também falou da atual gestão, sob a responsabilidade de Rui Costa
14 Abr 2026 | 11:49 |
Manuel Damásio quebrou o silêncio e concedeu uma grande entrevista, onde falou da atualidade do Benfica. À conversa com a imprensa nacional, o antigo presidente das águias - que revelou o motivo por detrás do voto em Rui Costa - assumiu que precisou de alguma ajuda enquanto liderava os destinos dos encarnados.
Manuel Damásio: "Eu fui presidente e de futebol não percebia nada. Pedi a Mário Wilson para me ensinar a ver futebol"
O Benfica precisa de nova revolução no plantel, depois de mais um investimento avultado, superior a 100 milhões de euros? "Não estou à altura de dizer se o plantel precisa de uma revolução. Se precisamos de mais jogadores ou não, vai ser decidido por Rui Costa e José Mourinho", começou por dizer Manuel Damásio, numa entrevista exclusiva ao jornal Record.
"Eu fui presidente e de futebol não percebia nada. Pedi a Mário Wilson para me ensinar a ver futebol", revelou Manuel Damásio, na mesma resposta à questão colocada pelo diário desportivo. O antigo dirigente das águias revelou que o seu conhecimento do desporto não era suficiente para um cargo como o que detinha na altura.
Manuel Damásio: "O Mundo mudou. Há 10 ou 20 anos, não se podia dizer isto ou aquilo porque os jogadores podiam ficar melindrados"
"Sentei-me ao lado dele em quatro ou cinco jogos e disse-lhe que tinha um produto para vender e que sabia o que qualquer ser humano sabia, mas que precisava de aprender mais. Daí ter grande admiração por ele, era um senhor", apontou, deixando rasgados elogios a Mário Wilson.
José Mourinho tem sido, não raras vezes, duro com os jogadores: "O Mundo mudou. Há 10 ou 20 anos, não se podia dizer isto ou aquilo porque os jogadores podiam ficar melindrados. Mas os jogadores são profissionais, ganham fortunas e, por isso, tem de se exigir deles. Se ele tratasse mal os jogadores... Não devemos ficar chocados quando um responsável chama alguém à atenção", assumiu o antigo presidente das águias.